A jornalista Silvia Vinhas, pioneira na cobertura do automobilismo norte-americano, revelou em entrevista ao programa The Noite com Danilo Gentili, no SBT, detalhes inéditos sobre o emblemático teste de Ayrton Senna na IndyCar em 1992. Silvia relatou ter se sentido desconfortável com a postura do piloto durante a reportagem exclusiva no circuito de Firebird, no Arizona, onde Senna avaliou o carro da equipe Penske a convite de Emerson Fittipaldi.
Relato de desconforto nos bastidores
Durante o bate-papo com Danilo Gentili, Silvia relembrou a dificuldade de conduzir a entrevista naquele dia. Segundo a jornalista, a dinâmica com o ídolo foi tensa, gerando uma sensação de incômodo que contrastava com a importância histórica do registro para a TV brasileira.
Silvia também compartilhou detalhes de sua amizade com Fittipaldi, que permitiu sua presença em um episódio histórico: o teste de Ayrton Senna em um carro de Fórmula Indy durante a folga de fim de ano de 1992, em Phoenix, no Arizona.
“Fui a única jornalista a registrar esse teste. Foi um momento que nenhum outro profissional conseguiu cobrir”, revelou.
O desconforto, segundo Silvia, aconteceu porque Senna aceitou participar do teste sob a condição de manter sigilo, já que ainda negociava seu futuro com a McLaren. No entanto, como era amiga de Emerson, acabou sendo convidada para acompanhar a atividade.
“Quando cheguei ao café da manhã e o Emerson me apresentou, o Ayrton não gostou. Ele me ignorou totalmente. Aí, vendo o desconforto, eu disse: ‘Olha, estou aqui como jornalista. Se você não quiser que eu envie essa matéria para a Bandeirantes, eu te entrego a fita. Mas aqui quem está ao seu lado é uma mulher e gostaria que fosse mais respeitoso comigo’”, contou.
Silvia afirmou que sua postura mudou completamente a atitude de Senna, embora reconheça que o piloto tinha motivos para se incomodar com a quebra de confidencialidade.
“A partir daquele momento, mudou minha vida. Virei a rainha do treino”, disse, em tom bem-humorado.
“Essa reportagem, como é única, já foi exibida em cerca de 150 países e mostra a Silvia entre Ayrton e Emerson, os dois de macacão… Tenho o maior orgulho. Essa reportagem mudou a minha vida”, completou.
Apesar do momento delicado, a reportagem se tornou um marco, registrando o raro encontro de dois dos maiores nomes do automobilismo brasileiro, Senna e Fittipaldi, na mesma pista e contexto técnico.
O histórico teste de 1992 no Arizona
Em dezembro de 1992, o mundo do automobilismo voltou suas atenções para Ayrton Senna ao volante do Penske PC-21. O teste aconteceu em um momento de incerteza na carreira do brasileiro na Fórmula 1, diante do domínio técnico da Williams.
Senna impressionou imediatamente ao registrar tempos altamente competitivos em poucas voltas, evidenciando rápida adaptação ao carro da Indy, mais “analógico” e sem os recursos eletrônicos presentes na F1 da época.

Embora o teste tenha sido considerado um sucesso técnico — com Roger Penske impressionado com o feedback do brasileiro —, Senna optou por permanecer na Fórmula 1 em 1993, seguindo com a McLaren.
A decisão manteve sua trajetória na Europa, mas o episódio em Firebird ficou marcado como um dos grandes “e se” da história do automobilismo, levantando até hoje questionamentos sobre o impacto que sua ida para a Indy poderia ter causado no esporte mundial.
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