À medida que a temporada se aproxima do fim e ganha força a expectativa pelo retorno de Sergio Pérez e Valtteri Bottas ao grid da F1 com a Cadillac, o nome do mexicano volta naturalmente aos holofotes.
Pérez deixou a Red Bull ao final de 2024, depois de um ano marcado por desempenho abaixo do esperado. Na maior parte da temporada, o mexicano não conseguiu se aproximar do nível de performance de Max Verstappen, o que gerou forte pressão interna e externa. A equipe de Milton Keynes até tentou dar respaldo ao piloto, renovando seu contrato em julho, mas a mudança não foi suficiente para reverter o cenário.
Em uma conversa aberta com a imprensa na Cidade do México, Pérez relembrou sua última interação com Christian Horner, chefe da Red Bull, pouco antes da saída.
“(Eu disse) ‘Muito obrigado por tudo. E sinto muito por quem vai chegar aqui, porque isso vai lhe custar muito’”, contou o mexicano.
Sergio Pérez chegou à Red Bull em 2021, após se destacar por anos na Force India/Racing Point, onde costumava ser a principal referência técnica da equipe. Em Milton Keynes, porém, ele afirma que desde o início compreendeu que o contexto seria diferente: encontraria uma estrutura já consolidada em torno de Verstappen.
O mexicano admite que tentou mudar esse equilíbrio, mas reconhece que o projeto do carro sempre esteve muito alinhado ao estilo de pilotagem do holandês:
“Eu sabia desde o primeiro dia que precisávamos ser inteligentes, sabia qual era o meu papel e que o projeto tinha sido desenvolvido para o Verstappen. Quando cheguei, comecei a deixá-los nervosos, mas também sabia que havia muitos interesses envolvidos e que eu não poderia simplesmente tomar conta do sistema.”
Ano após ano, Pérez reforçava publicamente a percepção de que o desenvolvimento do carro seguia priorizando as características de Verstappen, algo que, segundo ele, permanece até hoje na equipe.
Ao olhar em retrospectiva, Pérez afirma que o desfecho com a Red Bull acabou sendo benéfico para sua carreira e para a própria saúde mental: “O que aconteceu com a Red Bull, no fim, eu sabia que era a melhor coisa que poderia ter acontecido para mim. Porque estar lá, nas condições em que eu estava, era extremamente exigente.”
Ele ainda projeta um cenário repetido para qualquer piloto que sente no outro carro da equipe: “Todos os pilotos que chegaram e os que ainda vão chegar continuarão a ter os mesmos problemas. É um carro muito complexo de pilotar, em que é preciso se adaptar constantemente ao estilo do Verstappen.”
Apesar das críticas ao contexto dentro da equipe, Pérez fez questão de demonstrar enorme respeito por Max Verstappen: “Acho que ele vai se tornar o melhor piloto da história do esporte; o projeto da Red Bull foi feito para ele.”
Ao mesmo tempo, ele chama atenção para o fato de que a função de segundo piloto na Red Bull é constantemente subestimada, e muitas vezes esquecida, pelo público e pela mídia especializada. Segundo Pérez, pouco se fala hoje sobre quem ocupa o assento ao lado de Verstappen, em comparação ao nível de escrutínio que ele próprio enfrentou.
“Os pilotos têm vida curta na F1 e hoje ninguém se lembra que a Red Bull tem um segundo piloto. Ninguém presta tanta atenção a isso quanto prestavam quando eu estava lá.”
Entre elogios à qualidade de Verstappen, críticas à estrutura centralizada em torno do holandês e o reconhecimento do peso psicológico de ser o “piloto 2” em uma equipe dominante, Pérez deixa claro que sua saída de Milton Keynes representou, ao mesmo tempo, o fim de um ciclo desgastante e o início de uma nova fase em sua carreira.
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