Lando Norris, Max Verstappen e outros pilotos da Fórmula 1 lamentaram a saída de Zandvoort do calendário da categoria após a edição de 2026, que marca a despedida do GP da Holanda do Mundial. O circuito holandês deixa a programação por causa do fim do contrato e da falta de apoio governamental para assumir os riscos financeiros do evento, encerrando um ciclo iniciado em 2021.
Zandvoort se despede da Fórmula 1
A despedida acontece após seis edições do GP da Holanda na era moderna. O retorno da prova foi diretamente ligado ao crescimento da popularidade de Max Verstappen no país.
A presença do tetracampeão transformou Zandvoort em um dos eventos mais vibrantes do calendário, com arquibancadas tomadas pela torcida holandesa e a tradicional atmosfera de festival.
Para os pilotos, porém, o circuito representa algo além do fenômeno Verstappen. O traçado estreito, as curvas inclinadas e as áreas de escape limitadas preservam características cada vez menos comuns na Fórmula 1 moderna.
Norris destaca atmosfera e fãs
Lando Norris, da McLaren, foi um dos pilotos a lamentar a decisão. O britânico destacou principalmente a atmosfera criada pelo público e a paixão dos torcedores.
Apesar de reconhecer que grande parte da torcida comparece por causa de Verstappen, Norris considera que o evento se tornou especial para toda a Fórmula 1.
O piloto também manifestou esperança de que Zandvoort possa retornar ao calendário no futuro, mantendo aberta a possibilidade de uma nova passagem da categoria pela Holanda.
Piastri vê pontos positivos e limitações
Companheiro de Norris na McLaren, Oscar Piastri também classificou a saída como uma pena. O australiano venceu a edição de 2025 e conhece diretamente as características do circuito.
Piastri considera Zandvoort um dos melhores locais para pilotar, mas reconheceu que o traçado estreito limita as oportunidades de ultrapassagem e torna a corrida menos emocionante.
O australiano ainda sugeriu que uma eventual substituição por circuitos tradicionais, como Imola ou Spa-Francorchamps, seria positiva para os pilotos.
Verstappen se despede de uma corrida especial
Para Max Verstappen, a despedida tem um peso diferente. O holandês foi peça central na retomada do GP e venceu três das cinco primeiras edições disputadas desde 2021.
A vitória de 2021, em particular, entrou para a história por acontecer durante a intensa disputa pelo título contra Lewis Hamilton.
Mesmo sem chegar a 2026 como principal favorito à vitória, Verstappen ressaltou a importância histórica de Zandvoort e a experiência de correr diante de cerca de 100 mil torcedores apaixonados.
“É definitivamente uma das melhores pistas do calendário”, destacou o piloto da Red Bull ao falar sobre o circuito e sua personalidade.
O charme das pistas “old school”
Lance Stroll, da Aston Martin, chamou atenção para outro elemento que diferencia Zandvoort: o risco.
Com áreas de escape menores e trechos cercados por cascalho e grama, qualquer erro pode comprometer imediatamente uma volta ou uma corrida.
Esse conceito remete à Fórmula 1 de décadas passadas, quando os circuitos apresentavam margens de erro significativamente menores. Para Stroll, essa característica ainda dá ao piloto uma sensação que se perdeu em muitos autódromos modernos.
O alemão Nico Hülkenberg também destacou a atmosfera do local. O piloto da Audi possui uma ligação antiga com Zandvoort e chegou a vencer no circuito em 2006, quando disputava a extinta categoria A1GP.
Um circuito histórico diante de um calendário em transformação
A saída de Zandvoort simboliza uma mudança importante na Fórmula 1. O calendário atual precisa equilibrar circuitos históricos, novas praças e interesses comerciais cada vez maiores.
O problema é que características que tornam uma pista especial para os pilotos nem sempre garantem o melhor espetáculo para quem acompanha a corrida.
No caso de Zandvoort, a combinação entre traçado estreito e carros modernos dificulta ultrapassagens, enquanto o sucesso comercial do evento foi fortemente associado ao fenômeno Verstappen.
Ainda assim, a despedida deixa um consenso entre os competidores: a Fórmula 1 perde uma pista com personalidade própria — justamente em uma época em que esse tipo de característica se torna cada vez mais raro.
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