A FIA, a F1 e as cinco montadoras que fornecem unidades de potência para o grid estão prestes a votar uma proposta de alteração no regulamento que modifica a forma de medição das taxas de compressão dos motores para entrar em vigor durante as férias de verão, em resposta à polêmica envolvendo a Mercedes.
Os regulamentos das unidades de potência para 2026 prescrevem uma taxa de compressão do motor de 16:1, abaixo dos 18:1 do ano passado. Essa taxa sempre foi medida à temperatura ambiente, com o motor desligado, sem levar em conta qualquer expansão do material sob o efeito do calor quando os carros estão em pista.
Um grupo de montadoras, liderado pela Audi, tem se preocupado com a possibilidade de a Mercedes criar um mecanismo para aumentar a taxa de compressão para próximo de 18:1 quando o carro está realmente operacional, mas ainda esteja em conformidade com o teste estático, o que algumas marcas temem que possa resultar em uma vantagem significativa em termos de potência.
Os rivais da Mercedes têm instado a FIA a fazer alterações na forma como as taxas de compressão são medidas antes do início da temporada, o que poderia comprometer consideravelmente a Mercedes e suas equipes clientes: McLaren, Williams e Alpine.
Agora, as montadoras votarão em uma proposta que pode introduzir ainda este ano testes de medição adicionais com o motor em temperatura operacional.
O mecanismo para isso é uma votação através do Comitê Consultivo de Unidades de Potência (CCUP), que se reuniu no início deste ano para formular possíveis soluções. Em vez de convocar outra reunião presencial, fontes sugeriram que as cinco fabricantes (Mercedes, Ferrari, Audi, Honda e Red Bull-Ford Powertrains) tenham um prazo de 10 dias para votar a resolução online.
Além das cinco, FIA e a FOM também votarão sobre o assunto, exigindo uma maioria qualificada de quatro fabricantes mais os dois órgãos para que a mudança seja aprovada.
A FIA estava ansiosa para encerrar o assunto o mais rápido possível, para que a primeira controvérsia técnica da F1 2026 não se espalhasse para o início da temporada real no mês que vem, na Austrália.
Sugestões de que as equipes com motores Mercedes não poderiam correr em Melbourne, se a FIA e a FOM concordassem em tomar medidas imediatas, sempre foram uma ideia improvável. Mas também houve irritação com a quantidade de conversas geradas pelo que é efetivamente visto como uma interpretação inusitada, mas legal, dos regulamentos técnicos.
As equipes com motores Mercedes têm minimizado consistentemente a importância do suposto truque da unidade de potência.
“Acho que provavelmente há um mal-entendido sobre o quão significativo isso é. Haverá uma resolução, tenho certeza. Para mim, é apenas barulho, francamente, e provavelmente desaparecerá nas próximas 48 horas”, disse James Vowles, chefe da Williams, cliente da Mercedes.
“Entendo por que todos estavam focados nisso, mas não diria que é um item importante nesta corrida pelo campeonato.”
Já o chefe da Red Bull, Laurent Mekies, disse que sua equipe, que agora produz suas próprias unidades de potência, acolhe com satisfação uma medida para esclarecer a questão:
“Não achamos que seja barulho, achamos que devemos ter clareza. Não ficamos estressados se for para a esquerda ou para a direita, mas devemos ter clareza sobre o que podemos e o que não podemos fazer.”
“É verdade que ainda é cedo, mas chegaremos muito rapidamente a um ponto em que qualquer vantagem competitiva, qualquer décimo de segundo fará a diferença, então o que queremos é clareza e concordo com James em pensar que teremos essa clareza muito em breve.”
Comunicado oficial da FIA
A própria FIA soltou um comunicado sobre o caso:
“Nas últimas semanas, a FIA e as montadoras colaboraram para desenvolver uma metodologia que quantifique como medir as mudanças na taxa de compressão entre a temperatura ambiente e suas condições operacionais.”
“Após a validação desta abordagem, uma proposta foi submetida para que, a partir de 01 de agosto de 2026, o cumprimento da taxa de compressão seja demonstrado não apenas em condições ambiente, mas também em uma temperatura operacional representativa de 130ºC.”
“Essa votação foi submetida às montadoras e o resultado deve ser esperado nos próximos 10 dias e seu resultado comunicado no momento ideal. Assim como todas as mudanças no regulamento, qualquer mudança permanece sujeita a uma aprovação final do Conselho Mundial do Esporte a Motor da FIA.”
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