A Fórmula 1 e o governo de Ruanda anunciaram oficialmente nesta terça-feira (13) um acordo de longo prazo com validade de dez anos para sediar o inédito GP da África, com estreia prevista a partir da temporada 2030. O evento internacional, denominado oficialmente Formula 1 African Grand Prix, presented by Visit Rwanda, será realizado em um moderno autódromo permanente que será erguido na região de Bugesera, localizada a 40 quilômetros da capital Kigali, marcando a volta definitiva da elite dos monopostos ao continente africano após quase quatro décadas de ausência.
A oficialização do tratado ocorreu durante coletiva de imprensa na capital ruandesa, reunindo o presidente do país, Paul Kagame, o presidente e CEO da F1, Stefano Domenicali, e o mandatário da FIA, Mohammed Ben Sulayem. O complexo automobilístico será construído ao lado das futuras instalações do Aeroporto Internacional de Bugesera, integrando um megaprojeto governamental de desenvolvimento econômico, turismo e infraestrutura viária capitaneado pelo Conselho de Desenvolvimento de Ruanda.
Projeto de Alex Wurz e legado estrutural em Kigali
O traçado de Bugesera foi concebido pelo ex-piloto de F1 Alexander Wurz, presidente da GPDA, aproveitando o relevo acidentado da região para gerar um circuito técnico, veloz e de alta exigência aerodinâmica.
Em pronunciamento oficial, o presidente Paul Kagame celebrou o marco geopolítico e desportivo alcançado pela nação:
“O hoje pertence à África. Por mais de três décadas, o principal campeonato de automobilismo do mundo correu sem este continente, e isso muda com este acordo. Ruanda tem orgulho de sediar o GP da África e de compartilhar este momento com mais de 100 milhões de fãs em todo o continente, muitos deles jovens que merecem ver o esporte em casa e se ver nele: como engenheiros, técnicos, empreendedores e, um dia, pilotos”, declarou o chefe de Estado.
“Esta parceria de dez anos também é um investimento no futuro de Ruanda. O circuito em Bugesera, ao lado do novo aeroporto internacional, trará empregos, habilidades, turismo e novos negócios para nosso país e nossa região nas próximas décadas, porque nosso objetivo nunca foi um único fim de semana de corrida, mas um benefício duradouro para nosso povo”, completou Kagame.
Stefano Domenicali reforçou o alcance global da categoria sob a gestão da Liberty Media:
“Hoje é um momento marcante para a Fórmula 1. Com Ruanda entrando no calendário a partir da próxima década, nosso esporte correrá em todos os continentes habitados, aproximando o Mundial dos fãs ao redor do mundo como nunca antes. A África sempre fez parte do futuro da Fórmula 1, e desde o início estávamos determinados a retornar da maneira certa, com o parceiro certo, um compromisso de longo prazo e uma visão clara para criar impacto significativo”.
“Isto é muito mais do que sediar um GP. Juntos, podemos criar benefícios econômicos e sociais duradouros por meio do turismo, do investimento, do desenvolvimento de habilidades e do crescimento dos negócios locais, garantindo que o impacto positivo deste evento seja sentido por gerações. Para nossos fãs, este é um momento especialmente empolgante. A África abriga mais de 100 milhões de fãs da Fórmula 1, e esse número continua a crescer rapidamente”, analisou o dirigente.
O presidente da FIA, Mohammed Ben Sulayem, enfatizou o papel da federação no projeto:
“O retorno da F1 à África é um momento histórico para nosso esporte e um passo importante no contínuo crescimento global do automobilismo. Ruanda demonstrou um forte compromisso em realizar um evento de classe mundial, e a FIA trabalhará em estreita colaboração com a FOM e nossos parceiros à medida que este novo circuito for desenvolvido de acordo com os mais altos padrões internacionais”.
Vitória pessoal de Hamilton e expansão de Ruanda no esporte
A confirmação atende a um pleito histórico liderado pelo heptacampeão mundial Lewis Hamilton, que há anos cobra a cúpula da categoria por representatividade territorial completa no calendário.
“Nos últimos seis anos, tenho lutado nos bastidores para conseguir um GP”, disse Hamilton no início da temporada. “Então, sentar com as partes interessadas e fazer a pergunta: por que não estamos na África? Estamos em todos os outros continentes, por que não na África? Sei que eles estão realmente tentando. Os lugares de que mais gostei até agora foram o Quênia, e Ruanda foi particularmente espetacular — dois lugares onde senti que poderia viver. E a África do Sul. Acho que esses são os lugares que considero boas opções para potencialmente irmos”.
As negociações entre o governo local e a FOM ganharam tração após Kigali sediar com sucesso o Mundial de Ciclismo de Estrada da UCI e a prestigiada Cerimônia de Gala de Entrega de Prêmios da FIA, consolidando o país como polo esportivo global.
O início das obras na pista de Bugesera está programado para os próximos meses, com inspeções técnicas periódicas da FIA para assegurar a homologação Grau 1 antes da estreia em 2030.
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