O atual CEO da Fórmula E, Jeff Dodds, não poupou críticas à direção que a Fórmula 1 tem tomado nos últimos anos. Em declarações recentes, o executivo afirmou que a categoria rainha do automobilismo está a atravessar uma crise de identidade ao tentar replicar a fórmula de sucesso da competição elétrica.
Segundo Dodds, a tentativa da F1 de se tornar “mais parecida” com a Fórmula E — seja através da aproximação aos grandes centros urbanos ou do aumento da dependência de componentes elétricos nas novas unidades de potência para 2026 — é um erro estratégico. O CEO argumenta que a F1 deveria focar-se no que a tornou lendária: o som, a velocidade pura e a tecnologia de combustão de ponta, em vez de tentar ocupar um espaço que já pertence à Fórmula E.
“A Fórmula 1 é um gigante, mas está a tentar ser algo que não é”, sugeriu Dodds, sublinhando que a sustentabilidade e as corridas citadinas são o ADN da sua categoria desde a fundação. Para o executivo, ao tentar agradar a todos os públicos, a F1 corre o risco de alienar os seus fãs tradicionais sem conseguir entregar a eficiência e a agilidade que caracterizam os monolugares elétricos.
A rivalidade de bastidores entre as duas categorias da FIA parece estar a intensificar-se, especialmente com a convergência de tecnologias e a partilha de mercados, como o interesse crescente dos Estados Unidos pelo automobilismo.