Carlos Sainz criticou duramente a Federação Internacional de Automobilismo (FIA) nesta sexta-feira (9), após terminar na última posição a classificação sprint do GP de Singapura de Fórmula 1, em Marina Bay. O piloto da Williams acusou a entidade de permitir uma situação de “desigualdade esportiva” depois que um erro humano deixou o Modo Ultrapassagem indisponível para parte do grid durante o SQ1.
A falha aconteceu após a bandeira vermelha provocada pelo incidente de Sergio Pérez, da Cadillac. Na retomada da sessão, alguns pilotos não conseguiram utilizar o recurso que libera potência elétrica adicional, comprometendo suas tentativas de volta rápida.
A própria FIA admitiu o erro e reconheceu que o problema teve impacto no desempenho de determinados carros, dependendo do momento em que os pilotos fizeram suas voltas e da posição em que estavam no circuito.
Sainz questiona critérios da FIA
O espanhol afirmou que sua classificação já vinha sendo prejudicada por dificuldades com os freios, mas destacou que a diferença de potência entre os carros tornou a disputa ainda mais complicada.
“Metade dos carros completou a volta com um motor que era meio segundo mais rápido que o dos demais”, reclamou Sainz, em entrevista após a sessão.
O piloto também questionou a decisão da direção de prova de não intervir diante do problema. Para ele, não é aceitável que competidores disputem uma sessão classificatória em condições técnicas diferentes por uma falha operacional.
Sainz terminou a classificação sprint na 22ª posição, com o tempo de 1min37s376, sem conseguir avançar para o SQ2. A limitação de potência durante sua tentativa rápida foi um dos fatores que comprometeram seu resultado.
Erro humano deixou Modo Ultrapassagem indisponível
Em comunicado, a FIA explicou que um erro humano na direção de prova impediu a ativação correta do Modo Ultrapassagem após a bandeira vermelha. Quando a falha foi identificada, o sistema chegou a ser ativado por 27 segundos, mas acabou desativado novamente.
A federação reconheceu que a situação afetou o desempenho de alguns pilotos. Segundo a entidade, porém, o SQ2 e o SQ3 transcorreram sem impacto desse problema específico.
A falha foi diferente de outro contratempo registrado na classificação: um problema no sistema de cronometragem. As equipes também enfrentaram dificuldades com recursos de comunicação e dados durante o fim de semana, aumentando a insatisfação com a operação da sessão.
O Modo Ultrapassagem tem importância estratégica no regulamento técnico de 2026, pois permite ao piloto acessar potência elétrica adicional em determinadas condições. Quando o recurso não está disponível, a diferença pode comprometer o tempo de volta e a possibilidade de avançar em uma classificação tão curta.
Crítica também envolve episódio na Malásia
A manifestação de Sainz foi além do incidente em Singapura. O espanhol comparou a situação à confusão ocorrida no GP do Bahrein, realizado na Malásia, no fim de semana anterior, quando problemas de software afetaram a entrega de potência de alguns carros e a largada precisou ser interrompida.
Na ocasião, a interrupção permitiu que os pilotos voltassem a se posicionar para a largada após a resolução do problema. Sainz questionou a diferença de tratamento entre episódios que, em sua avaliação, também colocam em risco a igualdade esportiva.
A comparação aumenta a pressão sobre a FIA para esclarecer como administra falhas técnicas que afetam o desempenho dos competidores. Embora os dois episódios tenham causas distintas, ambos levantaram dúvidas sobre a consistência dos procedimentos adotados durante as sessões e as corridas.
Singapura aumenta pressão sobre a direção de prova
O circuito de Marina Bay é conhecido pelas dificuldades de comunicação e operação em meio ao traçado urbano, cercado por estruturas e com limitações para a transmissão de alguns sinais. Ainda assim, a complexidade do local não elimina a necessidade de garantir condições equivalentes aos pilotos.
A Fórmula 1 introduziu o formato sprint em 2021 para ampliar a ação competitiva ao longo do fim de semana. Com menos tempo de pista e uma classificação curta, qualquer falha operacional pode ter consequências decisivas para quem tenta avançar de fase.
Em Singapura, a situação foi especialmente prejudicial para pilotos que precisavam de uma volta rápida para permanecer na disputa. A crítica de Sainz coloca novamente em evidência o desafio da FIA de assegurar não apenas a segurança, mas também a igualdade de condições em uma categoria cada vez mais dependente de sistemas eletrônicos complexos.
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