Kyle Kirkwood alcançou a pontuação necessária para solicitar a superlicença da FIA após terminar como vice-campeão da Indy em 2026. O norte-americano chegou a 42 pontos acumulados em três temporadas, superou Colton Herta no critério esportivo e passou a estar à disposição da Cadillac, equipe ligada ao mesmo grupo proprietário da Andretti.
A FIA exige um mínimo de 40 pontos em três anos para que um piloto esteja apto a obter a superlicença e disputar a Fórmula 1. Kirkwood soma 30 pontos pelo vice-campeonato de 2026, além de dez pelo quarto lugar em 2025 e dois pela sétima posição em 2024.
A pontuação, porém, não significa que o piloto tenha sido contratado ou escolhido para uma vaga na F1. Ela apenas remove uma das principais barreiras regulamentares para uma eventual promoção.
Kirkwood chega ao requisito sem deixar a Indy
Kirkwood construiu a pontuação necessária permanecendo nos Estados Unidos e mantendo uma trajetória consistente na Indy. O resultado contrasta com o caminho adotado por Herta, que tentou se aproximar da Fórmula 1 por meio da Europa e da Fórmula 2.
O norte-americano da Andretti foi o primeiro piloto a conquistar os títulos da USF2000, da Pro 2000 e da Indy NXT antes de chegar ao principal campeonato de monopostos dos Estados Unidos. A sequência reforçou sua formação e ajudou a consolidar o nome de Kirkwood dentro da categoria.
Na tabela de pontuação da FIA, o campeão da Indy recebe 40 pontos, enquanto o vice-campeão soma 30. A categoria é uma das principais rotas alternativas à F2 para alcançar a marca necessária, embora apenas o vencedor do campeonato norte-americano obtenha diretamente os 40 pontos.
Consistência nos Estados Unidos supera atalho europeu
O contraste com Colton Herta ganhou força porque o piloto também fazia parte dos planos da Andretti e da TWG Motorsports para a Fórmula 1. Em 2022, Herta esteve associado a uma possível transferência para a então AlphaTauri, atual Racing Bulls, mas não conseguiu reunir a pontuação exigida pela FIA.
Em 2025, o grupo ainda avaliou uma mudança de Herta para a Fórmula 2, categoria que oferece uma distribuição mais favorável de pontos para a superlicença. A estratégia, entretanto, não produziu o resultado esperado.
Herta aparece na 17ª posição do campeonato de F2, com 26 pontos. Para alcançar a pontuação necessária, precisaria avançar significativamente na classificação e terminar em uma faixa que lhe garantisse mais pontos.
Cadillac passa a ter opção pronta
A situação coloca a Cadillac diante de uma alternativa interna já habilitada do ponto de vista regulamentar. O grupo terá Kirkwood na própria estrutura, com experiência em circuitos de rua, ovais e mistos, além de um vice-campeonato na Indy.
Herta, por outro lado, participou de treinos livres pela Cadillac, mas ainda não conseguiu transformar a experiência em uma pontuação suficiente para a superlicença. O cenário não elimina suas possibilidades futuras, mas torna o caminho mais difícil e dependente de novos resultados.
A disputa também evidencia como a consistência pode ser decisiva no sistema da FIA. Enquanto Herta direcionou esforços para uma mudança de categoria que não trouxe resultados expressivos, Kirkwood manteve o foco na Indy e acumulou pontos com campanhas competitivas.
Contexto histórico do sistema de superlicença
O sistema de pontos da FIA foi criado para estabelecer um padrão mínimo de experiência e desempenho antes da chegada de um piloto à Fórmula 1. Além dos 40 pontos, o candidato precisa cumprir outros requisitos esportivos e administrativos previstos pela entidade.
A regra ganhou relevância após a chegada precoce de Max Verstappen à Fórmula 1, quando o holandês ainda não havia disputado uma temporada completa em categorias anteriores. Desde então, a FIA passou a utilizar critérios mais objetivos para limitar a entrada de pilotos sem experiência suficiente.
A Indy é uma das categorias que mais pontuam para a superlicença. O campeão recebe 40 pontos, o vice fica com 30 e o terceiro colocado soma 20.
Próximos passos para Kirkwood
A temporada 2026 da Indy terminou, e a próxima etapa do calendário está prevista para o GP de São Petersburgo, entre os dias 5 e 7 de março de 2027. Antes disso, a categoria realizará testes com o IR-28, carro que será utilizado a partir de 2028, no Indianapolis Motor Speedway.
Kirkwood ainda não declarou intenção de deixar a Indy para correr na Fórmula 1. Mesmo assim, ao alcançar a pontuação exigida, passou a ter uma porta aberta que Herta tentou acessar sem sucesso até o momento.
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