A McLaren começou a temporada 2026 da Fórmula 1 abaixo das expectativas, mas encontrou um caminho consistente para recuperar competitividade. Após dificuldades com o novo motor Mercedes e um atraso no desenvolvimento aerodinâmico, a equipe de Woking voltou a disputar vitórias com Lando Norris e Oscar Piastri na metade do campeonato.
O início de 2026 ficou abaixo do esperado
A mudança regulamentar de 2026 alterou profundamente a hierarquia da Fórmula 1, com as novas unidades de potência híbridas assumindo papel ainda mais importante no desempenho dos carros.
Nesse cenário, a Mercedes largou na frente entre as equipes que utilizam seu motor. A McLaren, embora também equipada pela fabricante alemã, não conseguiu extrair o mesmo nível de performance nas primeiras etapas.
O problema, porém, não estava apenas na unidade de potência. A equipe também precisou recuperar terreno no desenvolvimento do chassi e da aerodinâmica.
Segundo a análise do Motorsport.com, a McLaren estimava estar dois a três meses atrasada em relação aos principais concorrentes nesse aspecto.
O preço da temporada de 2025
Um dos fatores que ajudam a explicar o cenário foi o esforço realizado pela McLaren durante a temporada de 2025.
A recuperação de Max Verstappen na disputa pelo campeonato obrigou a equipe de Woking a manter investimentos no carro anterior por mais tempo do que o planejado. Isso acabou comprometendo parte do desenvolvimento do projeto de 2026.
Além disso, a equipe mudou seu conceito aerodinâmico durante 2025, aumentando a complexidade da transição para o novo regulamento.
O resultado foi um MCL40 que começou o campeonato atrás de Mercedes e Ferrari em termos de desempenho, justamente no momento em que cada ganho de performance passou a ter impacto ainda maior.
Problemas nas primeiras corridas agravaram cenário
A McLaren ainda sofreu com problemas que impediram seus pilotos de largarem em três das quatro primeiras corridas.
Na Austrália, Piastri rodou e bateu durante a volta de formação após um pico inesperado de potência do motor. Na China, problemas elétricos afetaram tanto o australiano quanto Norris.
O impacto foi imediato na classificação do campeonato.
Na metade da temporada, a McLaren aparecia em terceiro lugar, com 220 pontos, 159 atrás da líder Mercedes. A distância evidenciava o tamanho do desafio para a equipe.
A reação começou com atualizações
Historicamente, a capacidade de desenvolvimento durante a temporada tem sido uma das maiores forças da McLaren. Foi assim, por exemplo, em 2024, quando uma grande atualização introduzida em Miami transformou o carro da equipe em referência do grid.
Em 2026, a estratégia voltou a ser semelhante.
Depois de um desempenho mais competitivo no Japão, a McLaren levou novos componentes para Miami e Montreal, aumentando gradualmente o potencial do carro.
O avanço ainda não foi suficiente para estabelecer uma disputa constante contra a Mercedes, mas mostrou que a equipe havia encontrado uma direção técnica mais produtiva.
O salto decisivo aconteceu na Hungria
A virada mais significativa veio no GP da Hungria, com a introdução de um piso redesenhado e uma versão atualizada da asa dianteira.
O pacote permitiu que Norris e Piastri disputassem diretamente a vitória, com Norris levando a melhor e conquistando seu primeiro triunfo em um GP como atual campeão mundial.
Mais importante do que a vitória isolada foi a evolução do comportamento do carro.
A McLaren passou de uma equipe que tentava recuperar o atraso para uma concorrente capaz de pressionar a Mercedes em condições normais de corrida.
McLaren voltou à corrida de desenvolvimento
Para Andrea Stella, chefe da McLaren, a evolução na Hungria foi diretamente relacionada às atualizações introduzidas pela equipe.
O dirigente, porém, destacou que o trabalho está longe de terminar. Segundo Stella, a McLaren precisa continuar levando novidades para conseguir disputar vitórias de maneira consistente.
própria lógica da temporada reforça essa avaliação.
Com 11 corridas ainda pela frente, a disputa pelo desenvolvimento pode alterar novamente a ordem de forças. A equipe que conseguir encontrar mais alguns décimos de segundo terá uma vantagem significativa na reta final do campeonato.
O desafio agora é transformar evolução em regularidade
A McLaren mostrou que possui capacidade para recuperar terreno, mas ainda precisa provar que o desempenho da Hungria não foi apenas um pico de competitividade.
O histórico recente joga a favor da equipe. A capacidade de desenvolver o carro durante o campeonato foi fundamental para a conquista dos títulos anteriores e voltou a aparecer em 2026.
O cenário, portanto, mudou. A McLaren começou o ano tentando recuperar um atraso considerável e chegou às férias de meio de temporada novamente na disputa pela frente.
A próxima etapa será transformar esse progresso em regularidade, especialmente contra uma Mercedes que ainda possui vantagem significativa no campeonato.
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