A Red Bull chega à pausa de verão da temporada 2026 da Fórmula 1 em quarto no Mundial de Construtores, após uma recuperação técnica considerável desde a abertura em Melbourne. Entretanto, o chefe da equipe, Laurent Mekies, reconheceu que o teto orçamentário de US$ 215 milhões limita a capacidade de sustentar o forte ritmo de desenvolvimento do RB22 na segunda metade do campeonato.
Dados da Paceteq, parceira de análise da equipe, apontam que a Red Bull iniciou o ano até 1s3 por volta distante do ritmo ideal na Austrália e na China. Antes das férias, a diferença havia caído para algo entre 0s2 e 0s3, uma evolução próxima de um segundo por volta.
Dois pacotes aceleraram evolução do RB22
A reação da Red Bull foi construída a partir de duas atualizações expressivas, introduzidas nos GPs de Miami e da Áustria. Os pacotes alteraram de forma relevante o conceito aerodinâmico do carro, especialmente nas laterais, além de atacarem o excesso de peso do RB22.
O ganho permitiu à equipe se afastar da zona intermediária e voltar a disputar posições mais competitivas. O processo, porém, exigiu um alto investimento de recursos financeiros, de desenvolvimento e de produção ao longo das primeiras etapas do calendário.
“Trouxemos uma enorme quantidade de melhorias para o carro entre a primeira corrida e agora, a fim de tentar corrigir o mais rápido possível o grande déficit que tínhamos”, explicou Mekies.
“Provavelmente é difícil imaginar que continuaremos nesse ritmo. Mas, mesmo assim, precisamos ver qual é a melhor maneira de tentar recuperar esses últimos 0s3”, acrescentou o dirigente.
Últimos décimos são o maior desafio
Para a Red Bull, encontrar os dois ou três décimos finais não depende apenas de levar novas peças à pista. A margem de performance diminui conforme as equipes se aproximam do limite do regulamento, enquanto os rivais também seguem desenvolvendo seus carros.
A avaliação é compartilhada por Andrea Stella, chefe da McLaren, que projeta a necessidade de encontrar cerca de meio segundo para as equipes que pretendem lutar por vitórias até o encerramento da temporada.
Em um grid tão apertado, o último salto de desempenho costuma exigir mudanças mais profundas em aerodinâmica, comportamento mecânico e gestão de pneus. Isso aumenta os custos e torna a escolha de prioridades ainda mais delicada sob o teto financeiro.
Red Bull deve antecipar foco no carro de 2027
Além da limitação orçamentária, a Red Bull terá de decidir como distribuir seus recursos entre o RB22 e o projeto de 2027. A divisão envolve verbas, pessoal de engenharia, produção de componentes e, principalmente, o uso do túnel de vento.
Mekies indicou que a equipe pretende mudar de postura em relação ao ano passado. Em 2025, a Red Bull concentrou esforços para reduzir a distância para a McLaren e dar a Max Verstappen condições de lutar pelo título, decisão que, segundo o diretor técnico Pierre Waché, teve reflexos no início da campanha de 2026.
“Em algum momento, precisaremos tomar uma decisão sobre o equilíbrio entre este ano e o próximo”, afirmou Mekies. “Espero que isso aconteça mais cedo do que fizemos no ano passado, especialmente porque o regulamento é o que é.”
A estratégia deverá definir o restante da temporada da Red Bull. A equipe precisa avaliar se vale investir para reduzir a diferença atual e buscar resultados imediatos ou preservar recursos para iniciar 2027 em uma posição mais forte.
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