O piloto e proprietário da Scuderia Bandeiras, Átila Abreu, se pronunciou pela primeira vez sobre a saída da equipe da Stock Car Pro Series, anunciada com efeito imediato após confirmação do STJD sobre as desclassificações de Rubens Barrichello e Nelsinho Piquet em Interlagos. Em vídeo divulgado nesta quarta-feira (1º), Átila citou falhas de gestão, risco tributário e descumprimento de liminares, enquanto a Vicar Promoções Desportivas, promotora do campeonato, respondeu com nota oficial afirmando que a segurança é “inegociável”.
Átila: “Momento mais desafiador da nossa história”
Emocionado e cercado por membros da equipe, Átila abriu o pronunciamento reconhecendo o peso da decisão.
“Hoje é, sem dúvida, o momento mais desafiador da história da Scuderia Bandeiras. Há pouco mais de um ano, chegamos à Stock Car com um sonho e um propósito: elevar o nível do automobilismo brasileiro. Investimos mais de R$ 20 milhões para construir a maior equipe da categoria”, afirmou.
O piloto lembrou o elenco reunido (Rubens Barrichello, Nelson Piquet Jr., Christian Fittipaldi, Ingo Hoffmann, Rafael Suzuki e ele próprio) e balanço esportivo em 12 meses: duas poles, cinco vitórias, 14 pódios e 14 pit stops mais rápidos.
Motivos da ruptura
Na sequência, Átila listou o que classificou como problemas incompatíveis com os valores da equipe.
“Falhas de gestão, falta de peças, cobranças que consideramos indevidas, insegurança jurídica, restrições ao direito de manifestação das equipes e dúvidas relevantes sobre procedimentos tributários que, em nossa avaliação, poderiam expor as equipes a riscos que não estamos dispostos a assumir”, declarou.
“A Justiça nos concedeu duas liminares confirmando o descumprimento grave de contrato e procedimento irregular que fragilizam a confiabilidade da categoria”, completou.
O que diz o documento oficial da Bandeiras
A notificação enviada à Vicar e à Audace Tech aprofunda as acusações. Segundo o texto, a equipe contratou auditoria independente que apontou inconsistências no fornecimento de pneus, com risco de prejuízo milionário para as equipes — questionamento oficial que, segundo a Bandeiras, ficou sem resposta.
Outros pontos citados no documento incluem atrasos recorrentes na entrega de peças — a ponto de comprometer a participação de um carro em Cuiabá, que correu com peça emprestada —, bloqueio ao sistema Stock Manager apesar de liminar em contrário, e problemas de fabricação em componentes fornecidos pela própria Audace Tech, que teriam chegado com medidas incompatíveis.
A equipe atribui à Audace e à Vicar a responsabilidade pelo rompimento contratual e informa que buscará indenização judicial por lucros cessantes, perdas financeiras e prejuízos esportivos.
Vicar: “Segurança é valor inegociável”
Na mesma manhã, a promotora divulgou nota oficial confirmando o recebimento da comunicação de saída e defendendo a legitimidade das penalidades aplicadas.
“A decisão ocorre após o julgamento conduzido pelo Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD), que manteve, por unanimidade (5 x 0), as penalidades aplicadas anteriormente pela Confederação Brasileira de Automobilismo (CBA) em razão de irregularidades técnicas identificadas durante a fiscalização de componentes homologados dos veículos”, informou a Vicar.
“Para nós, da Vicar, a segurança é um valor inegociável e qualquer conduta que possa comprometer a integridade dos pilotos, equipes, profissionais envolvidos ou do público é tratada com absoluto rigor”, complementou a promotora.
A empresa reforçou ainda que a saída não altera o calendário 2026 nem os compromissos com patrocinadores e parceiros da categoria.
Promessa de novo projeto
Ao encerrar o pronunciamento, Átila Abreu avisou que a Bandeiras não deixará o automobilismo brasileiro.
“A história da Scuderia Bandeiras na Stock Car termina hoje, mas a história da Scuderia Bandeiras no automobilismo está apenas começando. Em breve, vocês conhecerão o maior projeto da nossa história”, declarou.
“Saímos da mesma forma que entramos, competindo no mais alto nível e fazendo a pole e vencendo a última corrida”, disse ainda o proprietário.
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