A Indy confirmou o interesse de Barranquilla em receber uma etapa de rua no futuro, mas esfriou a possibilidade de entrada no calendário já em 2027. O tema veio à tona após a cidade colombiana enviar uma comitiva para Indianápolis, durante a Indy 500, e formalizar o desejo de sediar a prova, algo que a categoria considera prematuro neste momento.
Barranquilla procura a Indy e abre conversas
O movimento partiu das autoridades da própria cidade. Segundo Mark Miles, CEO da Penske Entertainment, houve contato formal antes mesmo do encontro em Indianápolis, mas a conversa ganhou corpo durante o fim de semana da principal corrida da categoria.
Em declaração à revista norte-americana Racer, Miles afirmou: “Eles nos procuraram. Enviaram uma delegação no fim de semana da Indy 500. Antes disso, recebemos uma carta deles, mas foi nesse encontro que ouvimos mais detalhes sobre a cidade e o interesse que têm”.
A fala mostra que o projeto existe, mas ainda está longe de um estágio avançado. No momento, a candidatura colombiana é tratada mais como uma possibilidade em desenvolvimento do que como uma negociação pronta para assinatura.
Categoria freia plano para 2027
Embora Barranquilla tenha manifestado interesse em entrar no calendário já em 2027, a leitura interna da Indy é mais conservadora.
Ainda à revista Racer, Miles foi direto ao avaliar o cronograma: “Entendo que ainda estamos em um estágio muito inicial das conversas. Eles queriam algo para 2027, mas penso que isso não é realista”.
A declaração é relevante porque estabelece o tom do processo. A categoria não fechou a porta para Barranquilla, mas deixa claro que qualquer estreia antes de 2028 parece pouco provável.
Projeto depende de traçado, logística e segurança
A favor da candidatura pesa o apoio político local, especialmente do prefeito Alejandro Char. A cidade já trabalha com a ideia de promover em 2026 um festival de automobilismo e eventos de exibição na região do Gran Malecón del Río, área cogitada para receber o circuito.
Ainda assim, a Indy trata o tema como um projeto técnico antes de ser um anúncio comercial. Entre os pontos analisados estão traçado, infraestrutura, segurança, logística de transporte, encaixe no calendário e sustentabilidade financeira.
Esse tipo de cautela é padrão na categoria. A Indy só avança com provas urbanas quando há garantia de viabilidade operacional e capacidade de sustentar o evento no médio prazo.
Outro entrave está no desenho do circuito. Segundo Miles, Barranquilla ainda não apresentou uma configuração consolidada, o que indica que o projeto está em fase de concepção.
O dirigente explicou: “Está claro que não existe um traçado favorito. Vi três versões diferentes. É exatamente esse o tipo de trabalho que pessoas como Tony Cotman [projetista de circuitos da Indy] fazem. Às vezes, é um processo longo descobrir se algo faz sentido ou não”.
A observação é importante porque mostra que a análise da Indy não depende apenas de vontade política ou investimento. Sem um traçado aprovado e funcional, não há como avançar para as etapas seguintes.
Barranquilla agrada, mas ainda está longe do calendário
Mesmo com o freio em 2027, a categoria vê potencial no projeto. A cidade aparece como uma opção interessante para ampliar presença internacional, especialmente na América Latina, desde que consiga atender aos requisitos da série.
Miles resumiu esse cenário em outra fala à Racer: “É cedo demais para fazer qualquer previsão, mas parece ser uma cidade muito interessante. E acredito que eles têm recursos financeiros e muita vontade de fazer isso acontecer”.
Na prática, Barranquilla ganhou lugar no radar da Indy, mas ainda precisa transformar intenção em projeto viável. Por enquanto, o movimento é promissor no campo político e comercial, mas segue embrionário na parte técnica.
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