A Genesis acelera a preparação para entrar no grid da classe Hypercar do Mundial de Endurance (WEC) em 2026 e, para Pipo Derani, a evolução do projeto nos últimos meses foi marcante. O brasileiro, que fará parte de um dos trios da equipe ao lado de André Lotterer e Mathys Jaubert, afirmou que a montadora sul-coreana deu um “salto enorme” desde o primeiro shakedown do GMR-001, fruto de um processo intenso de desenvolvimento e resolução de problemas.
Derani detalhou que um dos pontos mais complexos para um fabricante estreante no regulamento atual é a exigência do sensor de torque, componente que demanda integração fina com motor, eletrônica e softwares de controle. Segundo ele, boa parte do trabalho inicial foi justamente garantir que todos os sistemas “conversem” corretamente com essa obrigatoriedade técnica, um desafio ainda maior para engenheiros que estão lidando com esse cenário pela primeira vez.
“Muito, porque, obviamente, como fabricante, entramos em um regulamento que exige um sensor de torque, e entender como implementar esse sensor e fazer com que o motor e os sistemas funcionem em torno dele leva tempo. É bastante complexo para engenheiros que nunca fizeram isso antes”, explicou Derani.
O piloto descreveu o desenvolvimento como uma sequência de etapas: primeiro, a prioridade é fazer o conjunto funcionar de forma básica; depois, entender os efeitos colaterais que aparecem quando o sistema está ativo; e, por fim, identificar a correção “definitiva” que destrava o pacote como um todo.
“Então, a primeira fase do desenvolvimento foi implementar algum software: funciona ou não funciona? Liga ou não liga? Simplificando bastante, é mais ou menos isso”, disse. “Depois, entramos em uma segunda fase… liga? Sim. Mas quais outras áreas passam a ser afetadas ao ter isso ligado?”, continuou.
Na visão do brasileiro, a equipe passou justamente por esse ciclo de ajustes sucessivos, em que resolver um problema acaba criando outros, até encontrar a solução de maior impacto. “Em algum momento, percebe que existe uma grande correção, aquela que vai resolver tudo. E, quando encontramos, demos um salto enorme à frente”, afirmou o piloto.
Mesmo satisfeito com o progresso, Derani tratou o momento como parte natural da trajetória de um novo programa no endurance. Ele lembrou que o projeto envolve um carro e um motor concebidos do zero e que as primeiras voltas de testes são recentes, o que torna o avanço ainda mais relevante, mas sem espaço para euforia diante do nível de concorrência que a Genesis enfrentará no WEC.
“Acho que, em alguns momentos, parecia que iríamos decifrar esse código rapidamente, e em outros parecia que nunca conseguiríamos. Mas é justo dizer que isso faz parte do desenvolvimento. Faz parte de um novo fabricante entrando em um novo esporte, com um motor construído do zero”, avaliou.
Derani também chamou atenção para a diferença entre testar e competir. Para ele, o fato de o carro já estar “funcionando muito bem” após uma sequência de testes é animador, mas a realidade de um fim de semana de corrida impõe pressão, prazos e execução perfeita — algo que só será plenamente medido quando a Genesis estrear oficialmente.
“Estar aqui, depois dessa quantidade de dias de testes, com um carro que está funcionando muito bem, é algo promissor. Mas também é preciso ter em mente que uma coisa é fazer um teste… e outra bem diferente é estar sob os prazos de um fim de semana de corrida”, concluiu.
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