A Indy oficializou uma mudança estrutural profunda em seu sistema de fiscalização esportiva a partir da temporada 2026. A categoria anunciou a criação da IndyCar Officiating, uma organização autônoma e sem fins lucrativos, que ficará responsável pela arbitragem e inspeção técnica tanto da Indy quanto da Indy NXT.
Essa nova entidade será supervisionada pelo Independent Officiating Board (IOB), um Conselho Independente de Arbitragem formado por três membros, sendo um deles indicado pela Federação Internacional de Automobilismo (FIA) — um passo inédito na relação entre a Indy e a federação.
A demanda por um sistema de arbitragem realmente independente ganhou força no paddock durante as 500 Milhas de Indianápolis de 2025, após a Penske ser flagrada usando atenuadores modificados, peça cuja alteração é proibida pelo regulamento.
O caso se agravou quando imagens e dados mostraram que os componentes já estavam fora do padrão em outras etapas, incluindo a Indy 500 de 2024, vencida por Josef Newgarden. O fato de Roger Penske ser, ao mesmo tempo, proprietário da equipe, da categoria e da empresa promotora (Penske Entertainment) gerou forte reação no meio, com críticas abertas ao conflito de interesses e apelos por uma arbitragem externa.
Entre as vozes mais duras esteve a Honda, fornecedora de motores da Indy. Em reportagem do Los Angeles Times, após visita à sede da Honda Racing Corporation USA, foi relatado que a continuidade da marca na categoria após 2026 dependeria da capacidade de Penske em se afastar do papel de “juiz” da categoria que também possui e na qual sua equipe compete. O atual contrato entre Honda e Indy termina no fim de 2026.
O Independent Officiating Board foi montado a partir de duas frentes com dois membros eleitos pelos donos de equipe que possuem charters na Indy e Um membro indicado pela FIA – representando uma mudança histórica, já que a Indy tradicionalmente se mantinha distante da FIA em temas de arbitragem, apesar de seguir normas de segurança da entidade. Os escolhidos foram:
- Ray Evernham – ex-chefe de equipe de Jeff Gordon na Nascar, cofundador da categoria SRX e ex-proprietário da Evernham Motorsports.
- Raj Nair – ex-diretor técnico e vice-presidente executivo de desenvolvimento de produto da Ford, com histórico de liderança em programas da montadora na Nascar, IMSA e FIA WEC.
- Ronan Morgan, com cerca de 50 anos de experiência no automobilismo, ex-diretor esportivo do GP de Abu Dhabi de Fórmula 1 (2009–2021), ex-presidente da Comissão de Pilotos, integrante do Conselho Mundial do Esporte a Motor e conselheiro de Mohammed Ben Sulayem, presidente da FIA.
Como vai funcionar a IndyCar Officiating
Caberá ao IOB: Selecionar um diretor-geral de arbitragem (chief officiating officer); Definir o orçamento anual da nova entidade; e Garantir que a operação seja independente da Indy e da Penske Entertainment.
O diretor-geral terá autonomia para: Montar a equipe de direção de prova; Supervisionar a inspeção técnica; Aplicar e interpretar os regulamentos esportivos e técnicos da Indy e da Indy NXT, sem subordinação às estruturas comerciais da categoria.
O presidente da Indy, Doug Boles, destacou o compromisso com a imparcialidade: “Estamos comprometidos com uma arbitragem independente para 2026 e satisfeitos em anunciar este próximo passo. Os donos de equipes da Indy e a FIA selecionaram um conselho de classe mundial, com grande caráter, conhecimento extraordinário e uma paixão intensa pelo automobilismo e pela Indy.”
Já Mark Miles, CEO da Penske Entertainment, enfatizou a confiança na nova estrutura: “Estamos empolgados em lançar essa nova estrutura de arbitragem da Indy e sabemos que o conselho de arbitragem desempenhará essa responsabilidade com diligência e senso de missão compartilhada. Eles trabalharão de forma independente para contratar a pessoa certa para levar essa missão adiante e garantir uma implementação bem-sucedida para as temporadas de 2026.”
Do lado da FIA, Mohammed Ben Sulayem celebrou a aproximação: “A Indy é um ícone americano, e tenho orgulho da relação que estamos construindo juntos. A expertise independente da FIA em fornecer supervisão consistente de arbitragem em nossos campeonatos mundiais, combinada com a inovação e o espírito competitivo da Indy, apoiará o crescimento contínuo da categoria. Estou ansioso pelo trabalho que temos pela frente.”
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