A Porsche surpreendeu o mundo do endurance ao anunciar, nesta terça-feira (7), que deixará a classe Hipercarros do WEC (Mundial de Endurance da FIA) ao final da temporada 2025. O comunicado encerra semanas de especulação sobre o futuro da marca na categoria e confirma um processo de reestruturação interna do programa esportivo da montadora alemã.
Embora o anúncio tenha sido inesperado, sinais de descontentamento vinham sendo dados ao longo dos últimos meses, especialmente em relação ao BoP (Balance of Performance), sistema que busca equilibrar o desempenho entre as equipes. A Porsche vinha criticando abertamente a forma como a FIA aplicava o regulamento e punia quem se manifestava contra ele.
“Precisamos de melhorias no campeonato. Estamos falando de um Mundial da FIA com diversos fabricantes de altíssimo nível, e pequenas diferenças podem mudar tudo. O importante é garantir igualdade de condições”, declarou recentemente Thomas Laudenbach, vice-presidente de automobilismo da Porsche.
Apesar da insatisfação, o BoP não é o único motivo por trás da decisão. A marca também enfrentou queda nas vendas de modelos derivados da tecnologia do Porsche 963, além de sentir o impacto das tarifas automotivas impostas pelos Estados Unidos. A decisão final, inicialmente prevista para agosto, foi adiada por questões políticas internas, já que Oliver Blume, CEO da Porsche, assumiu também o comando do Grupo Volkswagen e deixará a gestão direta da marca.
O anúncio confirma que as 8 Horas do Bahrein, prova que encerra a temporada de 2025, marcarão a despedida da Porsche da classe Hipercarros.
Futuro da Porsche no automobilismo
A saída do WEC não significa o fim das atividades da marca nas pistas. A Porsche seguirá na Fórmula E com o 99X Electric e no IMSA SportsCar Championship com a Penske, projetos considerados estratégicos para o futuro tecnológico da companhia.
“Lamentamos muito informar que, devido às circunstâncias atuais, não seguiremos no WEC após esta temporada”, afirmou Michael Steiner, membro do conselho executivo da Porsche. “O automobilismo é parte essencial da nossa identidade, e continuaremos usando as corridas como laboratório de desenvolvimento para as próximas gerações de carros esportivos.”
A continuidade da Porsche no WEC por meio da classe LMGT3, em parceria com a Manthey, ainda depende de avaliação do comitê de seleção do campeonato. Já o projeto IMSA segue garantido para 2026.
O anúncio também afeta diretamente equipes clientes como a Proton Competition, que opera um Porsche 963 privado no WEC. Sem o time oficial, o regulamento não permite que a Proton inscreva apenas um carro, o que pode forçá-la a adotar um segundo protótipo ou mudar de fabricante.
O piloto Laurens Vanthoor, um dos principais nomes da equipe, expressou pesar com a decisão:
“É triste. Trabalhar com a Porsche e a Penske foi um sonho. Construímos algo especial, e mesmo que esteja terminando, as memórias e conquistas ficarão para sempre. Agora é focar na despedida no Bahrein.”
A situação lembra a anterior saída da Porsche do WEC, em 2017, quando a marca encerrou sua participação na classe LMP1 como campeã mundial. O retorno, na era Hipercarros, começou em 2023 — e pode novamente terminar com um título antes da despedida.
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