A Indy vai começar a próxima fase do seu processo de fiscalização técnica com uma novidade logística importante: a Penske Entertainment adquiriu um novo trailer de inspeção (o “tech truck”), que acompanhará o campeonato e será administrado pela nova estrutura de arbitragem independente, o Independent Officiating Board (IOB), em conjunto com a equipe de conformidade regulatória da IndyCar Officiating Incorporated (IOI).
O presidente da IndyCar, Doug Boles, afirmou que o caminhão é totalmente novo e explicou como funcionará a operação no dia a dia: apesar de o equipamento permanecer como propriedade da IndyCar/Penske, a gestão será entregue ao IOB após a instalação no paddock. “O caminhão de inspeção técnica que viaja com toda a equipe é totalmente novo este ano”, disse. Ele acrescentou que o pessoal da IndyCar fará o transporte e, depois da montagem, o controle passará ao órgão independente: “Ele continuará sendo nosso, mas será operado completamente pelo IOB”.
Segundo Boles, não é esperado um salto nas ferramentas de checagem no curto prazo, já que o chassi Dallara DW12 caminha para suas últimas temporadas de uso. A transição tecnológica mais relevante, na visão da categoria, está ligada ao próximo carro: o Dallara IR28, previsto para estrear em 2028.
O grande objetivo para o ciclo do IR28 é tornar o escaneamento a laser parte do kit padrão de inspeção técnica. A tecnologia já é comum em outras categorias, como NASCAR e IMSA, para verificar dimensões e legalidade de carroceria e componentes.
Boles destacou que o “scanning” abre uma janela enorme de oportunidades para a IndyCar entender variações de construção e comportamento estrutural. Ele lembrou que, após as 500 Milhas de Indianápolis, a categoria reteve estruturas de alguns carros para comparar diferenças entre monocascos e estruturas de impacto, cruzando informações entre carros e também com o projeto digital (CAD) da Dallara. “Apreendemos quatro carros — ou os monocascos e as estruturas de impacto — porque queríamos aprender o que estava acontecendo e entender a confiabilidade do monocoque”, explicou.
Ainda assim, a IndyCar reconhece que implementar o scanning como ferramenta de fiscalização rígida, com tolerâncias idênticas para todo o grid, é complicado no cenário atual do DW12. O motivo é a própria história do carro: desde 2012, o chassi recebeu diversas atualizações e reforços obrigatórios — especialmente depois de acidentes fortes nas primeiras temporadas — e isso gerou uma convivência de versões “antigas atualizadas” e versões “novas já com melhorias integradas”.
Na prática, isso significa que dois DW12 legalmente atualizados podem apresentar resultados diferentes no laser scanning, não por trapaça, mas por diferenças de processo e de geração do monocoque. Por essa razão, a categoria prefere evoluir o scanning como ferramenta de aprendizado até a chegada do IR28, quando será possível estabelecer um padrão único.
Boles disse que o escaneamento já ajudou a identificar pontos “estranhos” em alguns carros e a compreender melhor onde há espaço para interpretações agressivas do regulamento — mas reforçou que a intenção não é transformar isso em punição imediata. “Talvez não consigamos, agora, criar regras de scanning que digam que você tem que atender exatamente este padrão”, ponderou. E completou que o plano é investir em scanning entre agora e 2028 para chegar ao novo carro com um livro de regras mais claro: “Entre este ano e a temporada de 2028, provavelmente faremos bastante scanning… para que, quando chegarmos com o novo livro de regras em 2028, possamos dizer: ‘Ok, aqui estão as regras de scanning em que o carro precisa se encaixar’”.
Outro ponto levantado no debate técnico envolve controle de qualidade em componentes padronizados do DW12. Relatos de equipes indicaram que peças teoricamente idênticas, compradas em múltiplas unidades para estoque, podem apresentar diferenças de fabricação relevantes — a ponto de serem apontadas pelo scanning como fora da tolerância.
Com isso, a IndyCar e a Dallara miram dois objetivos para 2028: padronização real e repetível das peças, e capacidade de medir e comparar componentes de forma consistente, para que o scanning possa virar uma ferramenta efetiva de fiscalização.
Boles afirmou que a fornecedora está reforçando esse foco porque, para as equipes, a expectativa é simples: comprar uma peça e ter a garantia de que ela passa na verificação dimensional. “A Dallara está dobrando a aposta em controle de qualidade para que não tenhamos esses problemas”, disse.
Por fim, ele ressaltou que a decisão de quando — e como — o escaneamento vai virar regra de fiscalização caberá ao órgão independente: “Quando o IOB disser ‘sabemos o suficiente… e vamos dizer às equipes o que vamos fiscalizar’, essa será a decisão deles, não nossa”.
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