A Fórmula E vai mudar de forma profunda sua filosofia de desenvolvimento técnico a partir da era Gen4. A FIA confirmou que a categoria elétrica passará a usar um sistema de tokens para atualização de componentes, permitindo evoluções de hardware ao longo de todo o ciclo de homologação, em vez do atual formato de mudanças concentradas a cada dois anos. A ideia é dar mais flexibilidade às fabricantes e evitar que erros de projeto comprometam um ciclo inteiro.
Até aqui, a Fórmula E trabalhava com ciclos de quatro anos para cada geração de carros, com uma nova homologação de hardware após duas temporadas. Nesse intervalo, as equipes podiam mexer apenas em software, enquanto os componentes físicos permaneciam congelados. O próprio CEO da categoria, Jeff Dodds, já havia admitido que esse modelo poderia ser revisto com a chegada da Gen4.
O novo formato se inspira no sistema adotado na classe hipercarro do Mundial de Endurance (WEC), em que os construtores dispõem de um número limitado de atualizações — os chamados “jokers” — ao longo de um ciclo de cinco anos. Na Fórmula E, porém, a lógica será mais segmentada: em vez de valer para o carro como um todo, a FIA vai atribuir tokens específicos a diferentes áreas do veículo, definindo quantas vezes cada subsistema poderá ser atualizado ao longo dos quatro anos.
O gerente técnico da FIA para a Fórmula E, Vincent Gaillardot, explicou ao portal Motorsport.com que a mudança atende a um pedido direto dos fabricantes. Antes, qualquer erro de projeto precisava ser suportado por dois anos completos, sem possibilidade de correção estrutural. Com o sistema de tokens, as marcas ganham margem para reagir a problemas de desempenho ou confiabilidade dentro do mesmo ciclo.
Segundo Gaillardot, o plano prevê que os elementos do trem de força — como MGU (motor-gerador), inversor e câmbio — terão direito a uma atualização única ao longo dos quatro anos, consumindo um token específico. Já os chamados “perímetros inferiores”, que englobam componentes mecânicos (carcaça, suspensão), sistema elétrico e sistema hidráulico, contarão com dois tokens, permitindo até duas evoluções nessas áreas durante o período.
As equipes poderão escolher em que momento desejam usar cada token, de acordo com suas estratégias de desenvolvimento e necessidades esportivas. A FIA fará uma homologação intermediária anual no início de cada temporada, contabilizando os tokens utilizados por cada fabricante. Esse modelo é atrelado diretamente ao teto orçamentário, de modo que os gastos com desenvolvimento e atualizações também precisem ser planejados com rigor financeiro.
Na prática, a Fórmula E se aproxima de um conceito de desenvolvimento contínuo, porém controlado, permitindo que erros graves não condenem um projeto inteiro, mas sem abrir espaço para uma escalada de custos ou uma guerra tecnológica desenfreada. Para as montadoras, o sistema de tokens Gen4 combina flexibilidade técnica, previsibilidade regulatória e alinhamento com o controle de orçamento, fatores considerados essenciais para a próxima fase da categoria elétrica.
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