Toto Wolff não perdeu a oportunidade de se desvincular publicamente da crise vivida pela Aston Martin no início da era Honda na temporada 2026 da F1. Questionado sobre as dificuldades da antiga cliente, o chefe da Mercedes fez questão de destacar que foi a própria equipe de Silverstone que decidiu encerrar a parceria com a marca alemã para se tornar time de fábrica da montadora japonesa.
A Aston Martin chega ao GP da Austrália sob forte pressão. As graves vibrações da nova unidade de potência Honda geraram falhas repetidas na bateria, a ponto de o time ficar sem peças de reposição em Melbourne. O problema, porém, não é apenas mecânico: Fernando Alonso e Lance Stroll relatam que não conseguem completar mais do que cerca de 25 e 15 voltas consecutivas, respectivamente, sem risco de danos permanentes aos nervos das mãos.
Enquanto isso, a Mercedes voltou a mostrar competitividade com seu próprio motor, reforçando o contraste. Wolff deixou claro que a ruptura não partiu de Brackley:
“A Aston Martin foi cliente e parceira da Mercedes durante muitos anos e ainda fornecemos motores e outros componentes para os carros de rua, então não foi uma decisão da Mercedes deixar de trabalhar com a Aston Martin”, afirmou. “Acho que foi uma decisão consciente de se tornar uma equipe de fábrica com a Honda e sua parceira Aramco, e é por isso que tivemos que deixá-los ir.”
Newey admite foco já em 2027 e revela surpresa com falta de experiência na Honda
Adrian Newey, hoje à frente do projeto técnico da Aston Martin, foi questionado se preferiria ter um motor Mercedes nas costas. O engenheiro evitou comparações diretas, mas deixou claro que o momento com a Honda é de contenção de danos.
“Estamos onde estamos com a Honda”, afirmou. “Nosso foco agora é trabalhar com eles para chegar à melhor posição possível. Sendo realistas, nesta temporada o primeiro passo é resolver o problema de vibração para que possamos correr de forma confiável e, a partir daí, ver quanto desempenho ainda pode ser extraído, principalmente do motor de combustão interna.”
Newey também ressaltou que a montadora japonesa já precisa olhar adiante:
“Está claro que a Honda precisa começar a trabalhar no motor do modelo de 2027, porque será necessário um salto grande em potência do motor a combustão para aquele ano e esse deve ser o foco principal deles.”
Ao dizer isso publicamente, o britânico praticamente admite que 2026 tende a ser um ano de sacrifício para a Aston Martin, com expectativas mais realistas voltadas ao médio prazo.
Curiosamente, Newey conhece bem o potencial da Honda: foi com os motores japoneses que a Red Bull, em seus carros projetados por ele, conquistou quatro títulos consecutivos de pilotos com Max Verstappen. Mas a saída turbulenta da fabricante da F1, seguida pelo retorno, levou a uma profunda renovação da estrutura de motor esportivo, o que hoje se traduz em lacunas de experiência no novo projeto.
Segundo Newey, a Aston Martin não tinha plena noção desse cenário quando assinou o acordo de fornecimento de motores:
“Não, não tínhamos. Só ficamos sabendo disso em novembro do ano passado, quando nós — Lawrence [Stroll], Andy Cowell e eu — fomos a Tóquio para discutir rumores de que a meta inicial para a primeira corrida não seria alcançada. Foi aí que surgiu o fato de que muitos dos funcionários originais não haviam retornado quando as atividades foram retomadas. Portanto, a resposta é não.”
O resultado é um quadro delicado: uma equipe que apostou alto em ser parceira de fábrica, mas começa a nova era lidando com problemas de confiabilidade, questões de segurança para os pilotos e um motor que, na visão de seus próprios responsáveis, já precisa ter o foco deslocado para 2027.
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