A temporada 2025 da F1 terminou com o título decidido apenas na última etapa, em Abu Dhabi, mas o clima no paddock foi bem diferente da tensão quase bélica vivida em 2021 entre Red Bull e Mercedes. Um dos símbolos dessa mudança é a chegada de Laurent Mekies ao comando da equipe austríaca, em substituição a Christian Horner, com um discurso claro: menos politicagem e mais corrida.
Enquanto no passado a rivalidade entre Horner e Toto Wolff era marcada por trocas de farpas constantes, acusações públicas e pressão política sobre a FIA, a briga mais recente da Red Bull com a McLaren seguiu um tom bem mais ameno. Mesmo quando surgiram suspeitas sobre asas flexíveis e o famoso episódio da “água nos pneus”, o assunto rapidamente virou piada com Zak Brown respondendo por meio de um rótulo irônico em uma garrafa de água.
O novo ambiente ficou evidente na coletiva de sexta-feira em Abu Dhabi, quando Mekies e Zak Brown dividiram a mesa em clima amistoso, apesar da disputa direta pelo título. Outro exemplo foi o chamado “tape gate”, quando a Red Bull retirou repetidamente a fita que marcava a posição de largada de Lando Norris no grid. O francês tratou de encerrar a polêmica rapidamente, garantindo que a equipe deixaria de agir dessa forma.
Mekies evita dizer que antes a Red Bull passava do limite, mas deixa claro qual é o modelo que pretende consolidar: “Não sei se você quer chamar isso de estar no limite antes ou não. Acho que tivemos uma luta muito forte, mas foi uma luta justa e limpa. É assim que queremos correr. Levamos tudo ao limite, mas certamente respeitamos a competição.”
“Quando se trata de justiça esportiva e respeito à competição, acreditamos que podemos fazer ambos: estar no limite máximo e ser respeitosos com os concorrentes. O esporte é uma batalha entre gigantes, e nos sentimos muito fortes nessa luta, e respeitamos nossos competidores.”
Para Mekies, esse reposicionamento não é apenas uma questão de imagem externa, mas também de eficiência interna. A meta é clara: reduzir distrações fora da pista e concentrar a estrutura da Red Bull no que realmente afeta o cronômetro.
“Deixe-me explicar assim: é um ambiente incrivelmente competitivo e acreditamos que, para ser competitivo aqui, você também precisa gostar do que está fazendo. Trabalhamos duro, nos divertimos muito, esse é o espírito Red Bull.”
“Tudo o que fizemos foi garantir que nós, como grupo, pudéssemos nos concentrar na corrida pura e não nos distrairmos demais com o ruído ao redor. E fazer o que amamos fundamentalmente, que é tentar fazer esses carros irem mais rápido na pista. Concentrar-se no que amamos fazer, pressionar mais do que qualquer outro e tentar aproveitar o processo.”
Engenheiro de formação, Mekies prega um trabalho metódico e orientado a dados, dando prioridade apenas a decisões que tornem o carro mais rápido. Jogadas políticas de bastidor não se encaixam nesse tipo de mentalidade, o que explica o tom mais discreto da Red Bull em 2025.
A mudança na Red Bull também acompanha uma tendência mais ampla no grid. Cada vez mais, as equipes têm apostado em chefes de equipe com perfil técnico, o que naturalmente reduz o espaço para confrontos públicos. Com isso, a “guerra de microfones” que marcou anos anteriores tem perdido intensidade. O próprio Toto Wolff chegou a brincar em Zandvoort que a F1 ainda precisa de alguns “idiotas” como chefes barulhentos para manter o entretenimento, mas a realidade é que, sobretudo na segunda metade de 2025, o nível de polêmica pública caiu significativamente em comparação com o auge da rivalidade Red Bull x Mercedes.
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