A Honda divulgou detalhes preocupantes sobre os problemas técnicos que comprometeram a participação da Aston Martin nos testes de pré-temporada da F1. Segundo a fabricante japonesa, vibrações anormais geradas pelo motor a combustão causaram danos diretos ao sistema de baterias, forçando interrupções repetidas e limitando severamente a quilometragem acumulada pela equipe britânica.
A parceria entre Aston Martin e Honda já havia dado sinais de dificuldade desde o shakedown de Barcelona, quando o atraso na entrega do AMR26 reduziu ao mínimo o tempo em pista. A situação se agravou nas duas semanas de testes no Bahrein: a equipe percorreu apenas 2.115 km, pouco mais de um terço da quilometragem registrada por equipes como Mercedes, Haas e Ferrari, e menos da metade do total da próxima equipe na lista, a Cadillac. No último dia da segunda sessão, a Aston Martin encerrou as atividades após apenas seis voltas de instalação, por falta de baterias reservas.
Como a Aston Martin é a única parceira da Honda na F1 em 2026, a nova unidade de potência de Sakura também acumula muito menos dados do que as rivais, o que representa uma desvantagem adicional no início do campeonato.
Ikuo Takeishi, chefe do departamento de corridas de quatro rodas da HRC, explicou à imprensa japonesa que a decisão de interromper os testes foi tomada por segurança, mesmo sem risco imediato de acidente.
“As vibrações anormais observadas durante os testes causaram danos ao sistema de baterias, o que foi o principal motivo da interrupção. Paramos o carro porque achamos que ele não deveria continuar funcionando naquele estado. Não que um acidente fosse iminente, mas era perigoso”, afirmou Takeishi.
O que torna o cenário ainda mais delicado é a dificuldade em isolar a origem exata do problema. Takeishi admitiu que as vibrações parecem resultar da interação entre múltiplos componentes, o que torna a solução mais complexa do que uma simples substituição de peça.
“As vibrações danificaram a bateria, então não podemos afirmar se o problema está na própria bateria. A área onde ela está fixada está vibrando de forma anormal. Se a causa fosse identificada como algo relacionado à transmissão ou ao motor isoladamente, seria muito mais fácil de resolver. Como suspeito que vários componentes estejam interagindo para gerar a vibração, não está claro se consertar apenas uma peça resolverá o problema”, explicou o engenheiro.
Apesar da incerteza, Takeishi foi enfático quanto à determinação da Honda em resolver a situação o mais rápido possível. A equipe está utilizando a bateria em bancada com o monocoque montado, executando contramedidas simultâneas e realizando análises para reduzir as vibrações. O objetivo declarado é ter o carro em condições competitivas antes do GP do Japão, terceira etapa do calendário, em Suzuka.
“Meu objetivo é reduzir a vibração antes da abertura da temporada, mas pretendo deixar o carro em condições competitivas antes de Suzuka”, disse Takeishi.
O presidente da HRC, Koji Watanabe, reconheceu abertamente que a pré-temporada foi “extremamente desafiadora”, mas reforçou que a relação com a Aston Martin permanece sólida e orientada para o futuro.
“Os testes em Barcelona e no Bahrein foram, francamente, extremamente desafiadores. Não atingimos os níveis de desempenho previstos e uma série de problemas complexos se tornou evidente. No entanto, estamos buscando uma parceria de longo prazo e acredito que estamos unidos no desejo de resolver as questões como uma única equipe”, afirmou Watanabe.
O dirigente revelou ainda ter mantido conversas diretas com o proprietário da Aston Martin, Lawrence Stroll, e com o diretor técnico Adrian Newey, reforçando o compromisso mútuo de chegar preparados para a abertura da temporada na Austrália. A frustração dos pilotos — Fernando Alonso e Lance Stroll — foi reconhecida, mas Watanabe deixou claro que a única resposta possível virá por meio do desempenho em pista.
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