O chefe de equipe da Haas, Ayao Komatsu, assumiu a responsabilidade total pela dispensa de Esteban Ocon no GP da Cidade do México de Fórmula 1 e deixou em aberto a presença do piloto francês no GP de São Paulo, que acontece neste fim de semana em Interlagos. A decisão de afastar o piloto ocorreu após uma discussão interna com a cúpula técnica na noite de sexta-feira, levando a equipe a acionar o reserva Ryō Hirakawa para o restante do evento no Autódromo Hermanos Rodríguez.
Em declarações concedidas à emissora francesa Canal+, o dirigente japonês enfatizou que o corte se limitou ao evento em solo mexicano, mas evitou dar garantias sobre o cockpit nos compromissos da etapa brasileira.
“Por enquanto, a decisão tomada abrange apenas o fim de semana do México. Não posso fazer um comentário definitivo sobre o Brasil”, esclareceu Ayao Komatsu.
Decisão técnica pensada e apoio de Gene Haas
Komatsu fez questão de afastar rumores de impulsividade na condução da crise, reforçando que o afastamento foi uma medida inevitável após análise do ambiente interno. O dirigente também desmentiu boatos veiculados na imprensa europeia sobre agressões físicas nos bastidores da garagem.
“Ao levar em conta todos os fatores, acredito que a decisão de retirá-lo do fim de semana foi a atitude mais correta para a nossa equipe. Definitivamente não foi uma decisão que tomei de forma leviana ou por acaso. Eu estava totalmente convencido de que essa era a única atitude que eu podia tomar”, pontuou.
“Sou grato a Gene Haas por todo o apoio que me deu e continua dando. Conversamos com ele durante o processo e ele deixou a decisão totalmente para mim. Portanto, assumo sozinho toda a responsabilidade por esta decisão. O que aconteceu definitivamente não foi resultado de uma situação momentânea, mas de uma avaliação abrangente. Como foi alegado na imprensa francesa, não houve uma briga física ou uma discussão acalorada entre nós”, completou o chefe da esquadra.
O histórico de atritos internos do francês
A situação na Haas reacende um traço conhecido da trajetória de Esteban Ocon na elite do automobilismo. Ao longo de sua carreira na F1, o piloto colecionou episódios conturbados com companheiros de equipe e chefias, como os duelos ríspidos com Sergio Pérez nos tempos de Force India e os choques contra Fernando Alonso e Pierre Gasly na Alpine.
O caso mais emblemático na equipe francesa culminou justamente em sua saída antecipada do time no final de 2024, acelerada após uma colisão na primeira volta do GP de Mônaco com Gasly. O padrão de desgaste nas garagens acompanha o francês até sua chegada à Haas, onde a gestão rigorosa de Komatsu optou por uma punição disciplinar inédita logo no primeiro ano de contrato.
A escuderia norte-americana avalia agora a logística para o Autódromo de Interlagos, onde as atividades de pista começam na sexta-feira (6). Caso a suspensão seja estendida, Hirakawa surge novamente como alternativa imediata para compor a dupla titular ao lado do jovem britânico Ollie Bearman.
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