O automobilismo brasileiro celebra nesta terça-feira (6) a memória de José Carlos Pace, que completaria 82 anos de idade. Vencedor histórico do Grande Prêmio do Brasil de 1975 da Fórmula 1, o piloto paulistano marcou uma era dourada para o país no cenário internacional e teve sua trajetória imortalizada ao dar nome oficial ao tradicional Autódromo de Interlagos, palco máximo do esporte a motor sul-americano.
Nascido em 6 de outubro de 1944, Pace iniciou sua ascensão meteórica logo aos 20 anos, quando integrou o lendário desafio dos 50 mil quilômetros ao volante de um Renault Dauphine em Interlagos, cumprindo a meta em apenas 22 dias ao lado de nomes como Bird Clemente, Wilsinho Fittipaldi e Luiz Pereira Bueno. Sua transição para a Europa foi rápida: sagrou-se campeão da F3 Inglesa em 1970, passou pela Fórmula 2 e alcançou a Fórmula 1 em 1972 com a equipe de Frank Williams, pontuando com um quinto lugar em Spa-Francorchamps.
Apogeu com a Brabham, vitória em casa e desfecho trágico
Após passagens competitivas pela Surtees, Pace transferiu-se para a Brabham em 1974, capitaneada por Bernie Ecclestone. Naquele mesmo ano, garantiu a dobradinha no GP dos Estados Unidos em Watkins Glen ao cruzar em segundo, logo atrás do companheiro de escuderia, o argentino Carlos Reutemann.
O momento mais apoteótico de sua carreira ocorreu em 26 de janeiro de 1975, quando conquistou sua única vitória na categoria máxima diante do público em Interlagos, liderando uma dobradinha nacional histórica com Emerson Fittipaldi em segundo pela McLaren. A Brabham fechou a temporada como vice-campeã de construtores, com o brasileiro finalizando o campeonato de pilotos na sexta colocação.
Obra literária resgata legado do ‘campeão sem título’
O início do campeonato de 1977 confirmou a competitividade de Pace com o segundo lugar no GP da Argentina e a liderança nas voltas iniciais do GP do Brasil. No entanto, em 18 de março de 1977, poucos dias após disputar o GP da África do Sul em Kyalami, o piloto perdeu a vida precocemente aos 32 anos em um acidente aéreo na região de Mairiporã, na Grande São Paulo.
A história e o impacto do automobilista são resgatados na biografia “José Carlos Pace: o campeão mundial sem título”, de autoria de Luiz Carlos Lima e relançada pela Gulliver Editora. O editor Joubert Amaral comentou a relevância de preservar a memória do piloto:
“Sem dúvidas, é um livro obrigatório para quem quer construir uma bibliografia sobre o tema. Já conhecia a história do Moco por reportagens especiais sobre ele, mas não conhecia a obra. Certa vez, fui presenteado por um cliente com a primeira edição do livro e fiquei encantado com o que li. Desde então, tenho tentado publicar e graças ao empurrão de outro autor da editora, Américo Teixeira Júnior, consegui o contato do Luiz e chegamos a um acordo”.
A nova edição da biografia conta com capa assinada pelo ilustrador Bruno Mantovani, novo projeto gráfico, diagramação aprimorada e prefácio escrito pelo jornalista esportivo Luiz Alberto Pandini, consolidando o tributo ao ídolo eterno das pistas nacionais.
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