Max Verstappen e Lewis Hamilton questionaram a decisão da Fórmula 1 de realizar uma corrida Sprint no GP de Mônaco de 2027. A etapa de Monte Carlo será uma das dez do calendário com o formato no próximo ano, mas a característica estreita do circuito, conhecida pelas poucas oportunidades de ultrapassagem, levantou dúvidas entre os pilotos sobre a capacidade da Sprint de melhorar o espetáculo.
Mônaco terá Sprint pela primeira vez em 2027
A Fórmula 1 anunciou na semana passada o calendário de 2027, que terá 24 etapas e dez finais de semana com corridas Sprint.
Mônaco aparece pela primeira vez entre os eventos que receberão o formato, ao lado de Bahrein, Austrália, Japão e Abu Dhabi, que também terão uma Sprint pela primeira vez.
A programação em Monte Carlo está marcada para 4 a 6 de junho de 2027.
A escolha chama atenção porque Mônaco é um dos circuitos mais difíceis do calendário para realizar ultrapassagens. A classificação costuma ter peso decisivo no resultado da corrida.
Hamilton: “não faz sentido para mim”
Lewis Hamilton foi direto ao avaliar a novidade durante o GP do Azerbaijão.
“Não faz sentido para mim”, afirmou o piloto da Ferrari ao ser questionado sobre a Sprint em Mônaco. Apesar da crítica, o heptacampeão reconheceu que existe um aspecto positivo no formato: a possibilidade de realizar uma segunda sessão de classificação.
Hamilton defendeu, porém, que Mônaco deveria receber uma solução específica, diferente do modelo utilizado nas demais etapas.
Para o britânico, a corrida tradicional no Principado já apresenta poucas disputas por posição, e simplesmente acrescentar uma Sprint não resolve o principal problema do circuito.
“As corridas Sprint não são a resposta”, resumiu Hamilton.
O desafio está nas características de Monte Carlo
O circuito de Mônaco tem uma combinação bastante particular de curvas lentas, muros próximos e poucas áreas suficientemente largas para ultrapassagens.
Isso faz com que a posição conquistada na classificação tenha importância ainda maior do que em muitos outros circuitos.
A própria F1 destacou, ao anunciar o calendário, que as duas sessões de classificação permitirão aos pilotos demonstrar precisão e habilidade nas ruas estreitas de Monte Carlo.
Verstappen adota posição diferente
Max Verstappen, por outro lado, demonstrou menos preocupação com o local escolhido para as Sprints.
O tetracampeão mundial afirmou que já deixou clara sua opinião sobre o formato para o presidente e CEO da F1, Stefano Domenicali, e que atualmente não se importa particularmente com onde as corridas curtas são realizadas.
“Para mim, honestamente, não importa onde são as Sprints”, disse Verstappen.
O piloto da Red Bull também explicou que sua motivação está muito mais ligada à disputa do Grande Prêmio principal.
Segundo Verstappen, existe uma expectativa natural na largada de uma corrida, mas o problema em Mônaco é que a falta de espaço pode impedir que essa expectativa se transforme em disputas por posição.
“Você fica empolgado com a largada e depois não consegue ultrapassar”, afirmou.
Sprint de Mônaco terá duas classificações
Apesar das críticas, o formato escolhido pela F1 produz uma alteração importante na estrutura do fim de semana.
Mônaco terá duas sessões de classificação, uma destinada a definir a ordem para a Sprint e outra para estabelecer o grid do Grande Prêmio de domingo.
A Sprint terá aproximadamente 100 quilômetros, como ocorre nos demais eventos do formato.
A mudança pode aumentar a importância da velocidade de uma volta, justamente uma das características que tornaram a classificação de Mônaco um dos momentos mais valorizados do campeonato.
F1 amplia número de Sprints em 2027
A inclusão de Mônaco faz parte de uma expansão mais ampla do formato.
A temporada de 2027 terá dez Sprints, contra seis previstas no calendário de 2026. A FIA e a Fórmula 1 justificaram a expansão com base no interesse de fãs, promotores, emissoras e parceiros comerciais.
Além de Mônaco, Bahrein, Austrália, Japão e Abu Dhabi estrearão no formato.
Canadá, Grã-Bretanha, Itália, Brasil e Catar também terão Sprints em 2027.
Formato nasceu como experimento em 2021
A Sprint foi introduzida na Fórmula 1 em 2021, inicialmente como um experimento realizado em três etapas.
O objetivo era aumentar a quantidade de sessões competitivas durante o fim de semana e dar maior relevância ao sábado.
Desde então, o formato passou por mudanças e ganhou espaço progressivamente no calendário. Em 2027, chegará ao maior número de etapas desde sua criação.
Mônaco já enfrenta debate sobre ultrapassagens
A discussão sobre a Sprint ocorre em um circuito que historicamente apresenta um dos maiores desafios para as ultrapassagens na F1.
Monte Carlo está no calendário do Mundial desde 1950, na primeira temporada do campeonato, e se consolidou como uma das provas mais tradicionais da categoria.
Sua relevância, porém, sempre esteve associada não apenas às disputas roda a roda, mas à combinação entre classificação, estratégia, precisão e proximidade dos muros.
A própria natureza do traçado faz com que uma corrida adicional não necessariamente crie mais oportunidades de ultrapassagem.
Pilotos dividem opiniões sobre a novidade
A reação do grid não foi totalmente contrária à decisão.
George Russell, por exemplo, apresentou uma avaliação mais favorável e destacou que a classificação da Sprint pode ser mais interessante do que algumas sessões de treinos livres.
Outros pilotos também enxergaram a possibilidade de maior entretenimento para o público, enquanto Lando Norris observou que a escolha dos locais não cabe aos competidores.
A diferença de opiniões mostra que o debate não está necessariamente concentrado na existência das Sprints, mas em quais circuitos são mais adequados para recebê-las.
Sprint será um teste para o futuro de Mônaco
A estreia da Sprint em Mônaco coloca a F1 diante de uma experiência particularmente relevante.
Se o formato aumentar a disputa competitiva sem descaracterizar a tradicional importância da classificação, a categoria poderá considerar a experiência positiva.
Por outro lado, se a corrida curta repetir as limitações de ultrapassagem observadas no Grande Prêmio, a discussão sobre alternativas específicas para Monte Carlo deverá ganhar força.
Por enquanto, a decisão está tomada: Mônaco terá Sprint em 2027, com duas classificações e uma corrida curta no sábado.
O resultado na pista é que determinará se a mudança conseguirá acrescentar competição a um dos circuitos mais tradicionais — e mais particulares — da Fórmula 1.
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