A pilota britânica Jamie Chadwick, atual reserva da Genesis na classe Hipercarro do Mundial de Endurance (WEC), fez um forte desabafo sobre a pressão que enfrentou ao longo da carreira por ser mulher no automobilismo. Em participação no podcast Significant Figures, a tricampeã da W Series destacou que oscilações de rendimento fazem parte do esporte e cobrou que eventuais desempenhos ruins não sejam atribuídos ao seu gênero.
A competidora ressaltou que a cobrança individual era ainda mais intensa há cerca de cinco anos, quando a presença feminina nos principais campeonatos internacionais de monopostos e carros de turismo era consideravelmente menor.
Oscilações de rendimento fazem parte do esporte
Durante a entrevista, Chadwick abordou o peso que carregava sempre que não conseguia extrair o ritmo ideal do equipamento nas pistas.
“Sentia, mas principalmente porque, quando eu não era rápida, eu só queria ser lenta em paz. Se estou lenta, não é porque sou mulher. Estou lenta simplesmente porque estou lenta hoje. Apenas me deixem ser lenta”, desabafou a britânica.
Chadwick admitiu a dificuldade de lidar com a expectativa pública: “Se eu fosse rápida todos os dias, ficaria feliz em levantar a bandeira feminina e dizer: ‘Olhem o que podemos fazer’. Mas isso é o esporte. Algumas pessoas são boas todos os dias, mas eu não sou boa todos os dias. E isso era um peso que eu carregava”.
Aumento do grid feminino reduz peso nos ombros
A experiente pilota ponderou que o cenário melhorou com a expansão de programas de desenvolvimento e o aumento de mulheres em categorias de acesso, como na F1 Academy, onde ela também atua como consultora da academia da Williams.
“Agora já não tanto, porque há muito mais mulheres no esporte. Sinto que isso diminuiu”, avaliou Chadwick sobre a evolução recente do ambiente competitivo.
A britânica encerrou explicando a dinâmica antiga de cobrança: “Quatro ou cinco anos atrás, éramos tão poucas competindo, em qualquer nível, que parecia que os olhares estavam sobre você como mulher, e não como pilota. E, se você não fizesse um bom trabalho, isso acabava refletindo no gênero”.
Atualmente, além de suas funções institucionais em Grove, Chadwick mantém o foco nos programas de testes da Genesis visando futuras participações com o hipercarro nas 24 Horas de Le Mans.
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