O italiano Andrea Kimi Antonelli passou ileso pelo traiçoeiro e estreito traçado de rua de Madri para liderar o terceiro e último treino livre (TL3) do GP da Espanha de Fórmula 1. Em uma sessão marcada pelo caos e por uma raríssima intervenção da direção de prova no cronômetro, o prodígio da Mercedes cravou a marca de 1min32s797, superando a Ferrari de Charles Leclerc por uma margem mínima de 0s1. O brasileiro Gabriel Bortoleto, da Audi, foi cirúrgico na curta janela de pista limpa e garantiu presença no top-10.
O estrago de Hamilton e o relógio travado
A grande amostra do perigo implacável que os muros de Madri representam veio com Lewis Hamilton. Faltando 36 minutos para o fim da atividade, o heptacampeão perdeu o controle de sua Ferrari na última curva do circuito e estampou a barreira de TecPro. Embora tenha conseguido engatar a marcha à ré e sair do local de forma perigosa — sem notar que a asa dianteira estava totalmente presa sob o assoalho —, o impacto exigiu reparos extensos na proteção da pista.
A paralisação durou mais de meia hora. Diante da demora excessiva e para não arruinar os planos de simulação de classificação das equipes, a direção de prova tomou uma decisão atípica em treinos livres: travou o relógio quando restavam 15 minutos. A bandeira verde só voltou a tremular às 13h32 (horário local).
O tiroteio por posições e a redenção da McLaren
Com o pit-lane finalmente liberado, o asfalto espanhol virou palco de um sprint frenético. Antonelli e Leclerc travaram um duelo particular, revezando-se no topo da tabela de tempos até o italiano da Mercedes garantir a ponta em sua tentativa final. Logo atrás dos líderes, a McLaren espantou os problemas de equilíbrio da sexta-feira e mostrou um forte ritmo de recuperação, consolidando Oscar Piastri em terceiro e Lando Norris em quarto.
A sessão, no entanto, não terminou de forma limpa. Nos instantes finais, o britânico Oliver Bearman (Haas) também encontrou os muros madrilenhos, provocando uma segunda bandeira vermelha que encerrou definitivamente o treino.
Consistência no pelotão intermediário
Apesar da janela de tempo comprimida, Gabriel Bortoleto manteve a frieza. O brasileiro marcou o décimo tempo, fechando um grupo de elite que contou com Max Verstappen em quinto, seguido por George Russell (6º), Liam Lawson (7º), Nico Hülkenberg (8º) e o próprio Hamilton, que ficou com o nono tempo registrado antes de sua batida.
A dinâmica imprevisível deste TL3 deixa claro que a classificação nas ruas de Madri será decidida pela capacidade de escapar do tráfego e sobreviver à proximidade dos muros. Qualquer milímetro fora do traçado ideal no Q1 ou Q2 pode resultar em bandeiras vermelhas, embaralhando completamente a formação do grid de largada.
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