Após o GP da Austrália, considerado um dos testes mais rigorosos para os novos regulamentos da Fórmula 1, a FIA e as equipes se preparam para uma reunião na China para avaliar possíveis ajustes no pacote técnico da temporada 2026. A abertura do campeonato em Melbourne revelou tanto as promessas quanto os desafios impostos pelas mudanças no power unit, especialmente no que diz respeito à gestão de energia.
Desde o início da temporada, a FIA sinalizou que reservaria etapas para coletar dados e analisar o impacto dos novos regulamentos. A reunião pós-China será decisiva para definir se haverá correções, como redução de potência ou ajustes no sistema de recuperação de energia, e em quais prazos essas mudanças poderão ser implementadas.
Melbourne testa os limites do novo power unit
O circuito de Albert Park, com mais de 65% do tempo de volta em aceleração total, foi um dos cenários mais exigentes para os novos carros. A eliminação do MGU-H e o aumento quase triplicado da potência elétrica em relação a 2025 trouxeram ganhos de desempenho, mas também novos desafios de controle e eficiência.
A decisão de limitar a energia recuperável na classificação visava evitar táticas extremas, mas acabou restringindo o uso pleno do MGU-K. Na corrida, com 1 MJ adicional disponível, os carros mostraram velocidades mais constantes, especialmente nas retas entre as curvas 7 e 11. No entanto, o desgaste dos pneus e o consumo de combustível ainda representam um ciclo vicioso que pode comprometer o desempenho ao longo da prova.
A China como novo parâmetro
Se Melbourne foi o teste extremo, a China promete oferecer um cenário mais equilibrado. O circuito conta com uma longa reta, onde o MGU-K pode ser desligado para recarga, mas também oferece mais oportunidades de recuperação de energia em curvas de média e alta velocidade. Esse perfil poderá ajudar a FIA a ter uma visão mais realista do comportamento dos novos sistemas.
Com base nos dados coletados desde os testes de pré-temporada em Barcelona e Sakhir, e nas duas primeiras corridas, espera-se que após a etapa chinesa seja definido um plano de ajustes, caso necessário. A reunião também pode considerar a possibilidade de alterações durante a pausa do calendário, caso as corridas no Bahrein e na Arábia Saudita sejam canceladas.
Nikolas Tombazis, diretor de monopostos da FIA, afirmou durante o fim de semana australiano:
“A posição unânime das equipes foi que deveríamos manter as disposições atuais para as primeiras corridas e rever a questão quando tivermos um pouco mais de dados. Nossa intenção é reexaminar a situação da gestão de energia após a corrida na China.”
“Temos alguns trunfos nessa questão, que não queríamos introduzir antes da primeira corrida como uma reação impulsiva, e que avaliaremos com as equipes após a China.”
Soluções em análise
Duas propostas já estão em discussão: a redução da potência de saída do MGU-K durante a desaceleração e o aumento da eficácia do super-clipping, permitindo maior recuperação de energia em aceleração máxima.
Atualmente, o super-clipping opera com limite de 250 kW por razões de segurança. Em Melbourne, a recuperação era limitada a 50 kW/s, mas em circuitos menos críticos, esse valor pode subir para 100 kW/s. Uma das ideias em avaliação é aumentar o limite para 350 kW, o que poderia reduzir a dependência de táticas como o lift-and-coast e redistribuir a energia de forma mais eficiente ao longo da reta.
Essas mudanças buscam equilibrar desempenho, segurança e sustentabilidade, principais pilares do novo regulamento da F1 a partir de 2026.
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