A F1 se aproxima de uma virada técnica de grande porte em 2026, com mudanças profundas em carro, aerodinâmica e, principalmente, na forma como a potência será entregue. Para James Vowles, chefe da Williams, o novo cenário deve transformar a dinâmica das corridas em algo comparável a um “jogo de xadrez”, no qual a administração da energia elétrica será determinante para atacar, defender e até escolher onde tentar uma ultrapassagem.
O ponto central dessa projeção está na nova geração de unidades de potência. A partir de 2026, a Fórmula 1 passará a operar com um equilíbrio muito mais forte entre combustão e eletrificação: a divisão prevista é de 50% de potência elétrica e 50% do motor a combustão, uma mudança expressiva em relação ao padrão anterior, que era bem mais dependente do motor térmico. Na visão de Vowles, isso deve criar disputas táticas em que o desempenho não será apenas “pé embaixo”, mas uma sequência de decisões sobre quando gastar e quando recuperar energia.
Além do impacto esportivo, Vowles também ressaltou que o regulamento amadureceu bastante desde que foi apresentado inicialmente às equipes, em junho de 2024. Segundo ele, o pacote atual está mais bem resolvido e com maior potencial de entregar um produto competitivo.
Em entrevista ao Motorsport.com, o britânico avaliou que as ultrapassagens devem continuar existindo, mas podem acontecer em locais menos previsíveis, justamente porque o desempenho em reta e a capacidade de ataque dependerão do timing de uso da energia e não só do ponto tradicional de acionamento de um recurso como o DRS.
Ao mesmo tempo, o chefe da Williams acredita que a chegada do novo regulamento pode provocar um aumento nas diferenças entre os carros no começo do ciclo, algo relativamente comum quando há mudança grande de regras. Ainda assim, ele não espera nada próximo do “salto” de competitividade visto em 2014, quando os motores híbridos estrearam e algumas equipes abriram vantagem enorme.
A leitura de Vowles é que 2026 deve ficar em um meio-termo: com margens maiores do que as vistas recentemente em alguns fins de semana apertados, mas sem chegar a um cenário de separações gigantescas por volta. Ele também chamou atenção para o desafio extra de quem estará, ao mesmo tempo, desenvolvendo um carro novo e lidando com o aprendizado de uma unidade de potência inédita, lembrando que esse tipo de pressão técnica ajuda a explicar como equipes podem cair de rendimento em um grid cada vez mais competitivo.
Mesmo com essa possibilidade de variação maior, Vowles manteve um tom otimista sobre a briga nas posições de frente e afirmou que a categoria tem consciência de que precisa preservar a competitividade e que os regulamentos podem ser ajustados para manter o espetáculo e reduzir desequilíbrios excessivos.
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