A deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP) usou suas redes sociais para informar que solicitou à Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon) a abertura de uma investigação sobre o processo de comercialização dos ingressos do GP de São Paulo de F1, com foco na atuação da plataforma Eventim. A venda geral para a edição de 2026 começou nesta segunda-feira, ao meio-dia, e, segundo relatos, os bilhetes se esgotaram em poucos minutos.
Ano após ano, torcedores relatam crescente dificuldade para garantir lugares na corrida brasileira. Entre as queixas mais frequentes estão ingressos que “somem” do carrinho de compras, falhas no processamento de pagamento e bilhetes que acabam em questão de minutos. Na semana anterior, clientes PortoBank e portadores de cartão Amex tiveram acesso a pré-vendas exclusivas, que também se encerraram rapidamente por falta de disponibilidade.
Diante do volume de reclamações nas redes sociais, Erika Hilton afirmou que protocolou pedido formal para que a Senacon investigue a dinâmica de venda de ingressos para o GP de São Paulo. A parlamentar considera atípico que um evento que recebe cerca de 300 mil pessoas por edição tenha seus ingressos esgotados em cerca de sete minutos após o início das vendas, conforme noticiado pela imprensa.
A deputada quer esclarecimentos sobre a possibilidade de parte dos ingressos ter sido reservada a cambistas, a plataformas de revenda ou para futuros lotes “extraordinários” com valores mais altos. Ela também requisitou informações sobre as medidas adotadas pela Eventim para coibir a ação de bots e automatismos de compra, além dos procedimentos de verificação de identidade dos compradores.
Erika Hilton destacou ainda que seu mandato decidiu dedicar tempo ao tema por entender que se trata de uma demanda legítima da população e de um direito básico do consumidor: ter acesso a ingressos em condições justas, transparentes e com sistemas que funcionem adequadamente.
Para Erika, o alto volume de dinheiro público envolvido exige que o setor adote as melhores práticas comerciais possíveis, garantindo transparência e respeito ao consumidor.
Em resposta, a organização do GP de São Paulo ressaltou a enorme procura por ingressos como principal fator para o rápido esgotamento. Segundo o evento, a demanda atual supera em muito a capacidade do autódromo de Interlagos, cenário semelhante ao observado em outros GPs da F1 e em grandes eventos de entretenimento.
A organização citou como exemplo um pequeno lote de cerca de mil ingressos da edição deste ano, liberado na semana da corrida devido a compras não confirmadas. Mesmo com divulgação restrita às redes sociais do GP poucas horas antes da abertura, o lote se exauriu em aproximadamente um minuto, enquanto cerca de 30 mil pessoas aguardavam na fila virtual.
O GP São Paulo também esclareceu que a carga total de ingressos para 2026 ainda não foi integralmente disponibilizada. Foram realizadas duas etapas de pré-venda e, mais perto da prova, deverão ser oferecidas entradas vinculadas a áreas de parceiros comerciais, como Heineken e Porto. A organização afirmou que, mesmo em novos lotes, os preços permanecem inalterados.
Sobre os cambistas, a organização afirma adotar medidas de contenção, como o limite de até quatro ingressos por CPF e a possibilidade de associar, na entrada do autódromo, ingressos vendidos por canais não oficiais ao comprador original. Em casos suspeitos, o cadastro do titular pode ser bloqueado para futuras compras.
A Eventim declarou que lamenta não ter conseguido atender à totalidade da demanda por ingressos do GP de São Paulo. A empresa afirma que, apesar do inventário ser amplo, ele é limitado e que se esgota rapidamente diante da procura simultânea de milhares de consumidores.
Segundo a ticketera, o esgotamento quase imediato é um fenômeno comum em eventos de grande relevância, tanto no Brasil quanto internacionalmente, e que isso costuma gerar frustração nos fãs, repercutindo negativamente na mídia e nas redes sociais.
A Eventim reforçou que repudia a prática de revenda de ingressos, tanto física quanto por meio de sites, classificando o cambismo como um dos principais problemas enfrentados pela indústria do entretenimento. A empresa sustenta que essa prática prejudica produtores, artistas, trabalhadores do setor, consumidores — que acabam pagando mais caro ou correndo risco de adquirir ingressos falsificados — e o próprio Estado, que deixa de arrecadar impostos.
A companhia lembrou que a Abrevin (Associação de Empresas de Venda de Ingressos), da qual faz parte, já havia solicitado formalmente, em agosto de 2022, que o Procon-SP investigasse a revenda irregular de ingressos. A Eventim diz utilizar padrões elevados de segurança tecnológica e capacidade operacional para suportar grandes picos de acesso e reforça que a totalidade dos ingressos disponíveis foi adquirida pelo público consumidor dentro da normalidade de seus sistemas.
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